domingo, 7 de fevereiro de 2010
Aprenda Economia - Rap Hayek vs. Keynes
O vídeo entra na rol de simplificadores da Economia de maneira muito criativa e didática.
Hayek é defensor do livre-mercado. Keynes é defensor do Estado Interventor.
Uma ótima maneira de aprender de fato o que é liberalismo.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Trens de Alta Velocidade (TAV) - Soberba brasiliana

Um favelado que quer andar de esportivo. Essa é a impressão que se tem quando vemos de maneira realista os desejos do Governo. A grande maioria da população que é leiga fica entusiasmada, porém não percebe o imenso disperdício e ineficiência de ser ter um Trem de Alta-velocidade (TAV) ligando Campinas - São Paulo - Rio de Janeiro.
Devido ao sucateamento Estatal das ferrovias nas últimas décadas, o trem-bala como é conhecido o TAV faz a cabeça dos formadores de opinião, acadêmicos e, logicamente, políticos. O projeto parece ser o retorno triunfal das estradas de ferro tão esquecidas e que sua falta se faz sentir nos trânsitos das cidades e rodovias (ora intransitáveis, ora com pedágios abusivos). Só que este projeto apresenta erros de concepção, ou ao menos concepções questionáveis. E um custo fora da realidade.
Por que interligar, via TAV, 3 aeroportos? A invenção de Santos Dummond ajudou a configurar a geografia e a humanidade. O avanço econômico, propiciando o tecnológico, tornou o avião um meio de transporte seguro, altamente eficiente e eficaz. Os custos despencaram e nos países desenvolvidos é uma realidade há décadas. Viagem de ônibus apenas para os bem desafortunados ou fugitivos.
Se aeroportos unem lugares distantes, o por que de se construir outro transporte de massa de alto-custo entre eles?
A questão dos custos realmente faz cair por terra a eficácia do projeto do TAV. Orçados inicialmente em 30 bilhões de Reais, num país onde saneamento básico chega a apenas 45% da população e Governo chorando por ter desonerado os correntista a CPMF, tributo que arrecadava ao ano perto do valor do custo da obra e que "servia à saúde".
E a lógica Estatal faz com que o orçamento inicial sofra alterações, sempre para cima. Não é leviano estimar um possível aumento de 20% sob o orçamento inicial. A ineficácia Estatal é a mais importante causadora de desigualdade e atraso.
Entrando no mérito dos custos para os indivíduos usarem o sistema e trens-balas é que se tem a impressão inicial de um luxo não viável para os brasilianos. Abaixo uma tabela de custos iniciais para utilizar os trens:

Simulando uma compra no Submarino Viagens, passagem ida e volta num mesmo dia (segunda-feira) de Viracopos (Campinas) - Galeão (RJ) a viagem aérea custa R$ 298.
Na mesma simulação, mas agora de Congonhas (SP) - Galeão (RJ), R$ 338.
em dia as tarifas aéreas rivalizam com a estimativa inicial das tarifas ferroviárias.
Com o fim do teto tarifário doméstico desde 2005, tal liberalização começa a ser sentida hoje. Os custos dos bilhetes aéreos estão acessível hoje para classe D e C e as notícias do boom no mercado destes indivíduos viajando estão em voga.
A liberalização das tarifas apenas não torna o sistema aéreo do Brasil sucetível às benesses do livre-mercado. A privatização dos aeroportos se faz necessária, e urgentemente. A situação dos aeroportos e saturação requer o desvencilhamento da ineficiência estatal.
A desregulação estatal completa fará com que viajar de avião seja tão simples quanto pegar um ônibus. A inserção de apenas uma concorrente, a Azul Linhas Aéreas, fez com que as tarifas chegassem a menos de uma centena de Real. E o serviço prestado aumentasse consideravelmente. A livre-concorrência e iniciativa permite um aumento da oferta de vôos e aeroportos que Governos não conseguem: com eficiência e eficácia.
Obviamente que o sistema ferroviário deve resurgir e fazer uma saudável interação com outros sistemas. Entretanto o Governo não tem competência para tal, como foi mostrado aqui e em outras compravações empíricas pelo Brasil. Apenas a iniciativa privada tem condições de viabilizar e operar qualquer sistema de transporte como a própria iniciativa privada deseja.
O TAV deve ser seriamente debatido para impedir mais um saque Estatal à população.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Resposta à revista Veja - A liberação do Santo-daime

A edição 2150 da revista Veja trouxe uma notícia de que o governo oficialmente liberou o consumo de santo-daime ou ayahuasca, um chá retirado de um cipó que causa alucinações e usadas por tribos sulamericanas em rituais.
A revista ironiza através da opinião conservadora o acontecido e lança uma pergunta que transcreverei a seguir:
"O governo diz que autorizou o pessoal a ficar viajandão para respeitar a liberdade religiosa. Se alguém criasse uma religião batizada, digamos, Santo Pirlimpimpim, baseada em aspirações mágicas de cocaína, o Planalto também oficializaria o consumo?"
Eu respondo à revista:
Em primeiro lugar a necessidade de oficializar o consumo de qualquer coisa baseia-se no premissa de que temos que pedir permissão para alguma autoridade para fazer algo. O direitismo que prega um Estado carrancudo e padrasto atropela por completo o princípio da liberdade e privacidade. O que se diz respeito à vida privada de algum indivíduo não precisa de legitimação judicial e julgamento moral. O consumo do tal chá é tão igual quanto o consumo de acarajé.
O crime sem vítimas é outro vício e segundo ponto da minha resposta. Ao consumir santo-daime e ficar viajandão, o indivíduo não fere a liberdade e nem põe qualquer bem e vida alheia em risco. A alteração mental voluntária não serve de pretexto para cometer atos criminosos de fato. Crimes acontecem independente da condição mental.
O terceiro ponto para completar a resposta é uma crítica ao conservadorismo hipócrita. Pessoas que assinam tal notícia e editorial escondem-se sob a máscara falso-moralista e deturpam a realidade baseado em crendices e tradicionalismos tolos. Meses atrás a Veja publicou 10 verdades inconvenientes; a maior delas era "quem cheira (cocaína) mata". Uma falácia grave, já que o que financia o crime é a proibição. Tudo que se torna proibido, apartir do axioma da agressão (Estado) direitista, que serve para canalizar seus propósitos religiosos, gera um mercado que não é livre, chamado de mercado negro. E a sobrevivência deste mercado se dá muitas vezes através da violência, como é o caso do tráfico animais, de armas e drogas.
A violência gratuita e institucionalizada, controles e necessidades de liberações oficiais é o que causa mais violência e intolerância. A interação humana intermediada pelo Estado extingüe o essencialismo humano e prejudica a evolução ética e tecnológica.
Se alguém quiser ficar viajandão por consumir algo que vem da natureza e qua não agride ninguém, essa pessoa deve ter a total liberdade para tal. Cada um cuida da sua vida.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Um bolha financeira só nossa - parte 2

O volume de crédito para imóveis da Caixa aumentou em 102% em 2009, comparado com o ano anterior.
Dos R$ 47,05 bilhões financiados em 2009, R$ 14,1 bilhões foram destinados ao programa de moradia popular "Minha casa minha vida", que concedeu 275.528 financiamentos.
O volume emprestado durante o ano passado corresponde a 71% de todo o crédito imobiliário do mercado.
Isso mostra que a Caixa, controlada pelo governo, vem expandindo o crédito vertiginosamente, e não acompanhando os bancos privados. A alavancagem parece remeter ao cenário de anos atrás nos EUA, onde estourou a última crise tido início no crédito imobiliário capitaneado por semi-estatais.
A Caixa, junto com o Banco do Brasil, vem se arriscando sob as asas do Banco Central, o regulamentador. Os órgãos reguladores estatais parecem não se importar. Talvez não deveriam, porém, há dinheiro público involvido.
A moeda em poder do público em Dezembro último está 13% superior comparado ao do ano anterior. E a média do aumento de outros tipos de moedas é de aproximadamente 12%.
O juros básico (selic) foi mantido a 8,75% a.a. desde Julho passado. A austeridade do Comitê de Políticas Monetárias de outrora parece ter diminuído.
A liquidez e créditos estão aumentando. E juros permanecem no menor patamar nominal na história.
O clima de aposta está no ar. 2010
ATUALIZAÇÃO
A inadimplência entre os consumidores com renda maior que R$ 2 mil mensais, os da classe A, B e C, aumentou em 2009 de 43,1% para 52,71% a participação no total dos inadimplentes.
Uma notícia importante para a publicação. De qualquer maneira os dados que serão disponibilizados agora em diante podem confirmar, negar ou por em dúvida a bolha financeira verde e amarela.
E o Academia dos Comuns continuará acompanhando o mercado.
domingo, 24 de janeiro de 2010
Um simples acontecido

Incrível como algo tão simples, até mesmo recorrente e corriqueiro, despertou uma descoberta tão importante para nossa história. Claro que o fato de a maçã cair não fez com que, do nada, brotasse uma teoria na mente de Newton. Apesar de jovem, com aproximadamente 20 anos, ele já possuía uma certa envergadura para as ciências, talvez mais do que o suficiente para fazer comparações e, consequentemente, descobertas.
Contudo, o que chama atenção neste caso, é que se ele ficasse bitolado em suas idéias, hermético em seus estudos e escritos, talvez jamais conseguisse criar idéias tão belas. Prova de que as coisas nem sempre estão nos lugares em que esperamos que elas estivessem.
Uma das coisas mais chatas e decepcionantes da nossa sociedade é a certeza que permeia as decisões de cada indivíduo que acha que está “por dentro”. Estes agem como se soubessem em que fim as coisas vão dar e seguem fórmulas rígidas para chegar ou conseguir o que precisam. Tendo isso em mente, ignoram o que passa por seu caminho.
Os profissionais ficaram mais profissionais do que nunca. Antigamente um goleiro poderia ser baixinho como um Danrlei e os nadadores poderiam ganhar medalhas sem o porte ideal. Bastava querer e simplesmente tentar. Hoje em dia, o baixinho não pode ser goleiro e muito menos nadador, precisa seguir em outro esporte que lhe dê as vantagens ou simplesmente não ir para o esporte. É como se todos fossem projetados para serem desde o início os melhores e apesar de haver conquistas, nada é suficiente, pois comparado com os imortais, aquilo nada vale.
Felizmente existem exceções que provam o contrário. Parece que ainda sobra fôlego para algo mais espontâneo.
Da mesma forma as pessoas agem com seus empregos, estudos e relacionamentos. Primeiro fazem a escolha e depois apenas traçam os caminhos. As coisas pequenas ficam despercebidas. E, ironicamente, o que elas querem passa batido, num formato impensado.
Não tenho nada contra quem decide tal rota, mas não me venha dizer que é este é o certo que deve ser imitado. A espontaneidade criou o mundo que temos hoje. Quando os religiosos estavam no controle, fatos inusitados apareceram para mostrar que estavam errados. E quando a ciência estava no controle, novamente fatos apareceram para provar que estavam errados.
Não deixe de olhar para os detalhes. Deixe para fazer as escolhas a medida que as oportunidades forem surgindo. Mesmo que escolha uma carreira hoje, fique aberto para mudanças. Talvez, surpreendentemente, você termine em outro lugar. Melhor assim. Para os que se focam demais em seus objetivos, quando algo sai errado, o dia seguinte deve ser usado para compensar o que foi perdido. Por outro lado, para os que ficam abertos, o dia seguinte é uma nova oportunidade para consertar os erros ou simplesmente esquecê-los.
Olhar para frente é, com certeza, o principal. Nunca deixe de fazer isso. Mas, olhar para os lados e para trás de vez em quando não faz mal para ninguém.
A propósito, segue o link para os manuscritos originais citados: www.royalsociety.org/turning-the-pages/
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Mulheres são capitalistas

Nos corredores da faculdade onde estudo, estávamos 3 colegas e eu, sendo duas mulheres e dois homens.
Discutíamos sistemas econômicos, o infinito debate capitalismo vs. socialismo ou qualquer coisa parecida. Minha posição era claramente pró livre-capitalismo, enquanto os 3 eram algo diferente e contra.
Durante a conversa eu quis mostrar a naturalidade do ser humano em adotar o capitalismo. Claro, o capitalismo dentro de um mercado livre: livre-capitalismo.
Apresentei a eles minha tese: a mulher é naturalmente capitalista. A reprovação foi imediata.
- Oras! Mulher adora bolsas e sapatos. Dificilmente possuem menos de dois pares dos dois itens - argumentei.
- Sim, mais isso não significa que seja capitalista - retrucou a garota.
Sendo alunos do 2º ano, tivemos no 1º ano aulas com um professor marxista e dinossauro, que tinha título de Mestre e atuado como secretário municipal da capital de SP na gestão Erundina. Ele minou a cabeça dos alunos com sua retórica marxista ignóbil.
- Capitalista sim! Vocês mulheres se contentariam com apenas 2 pares de cada?
- É...não! - disse uma garota, mais ponderada.
- Pois bem! Então vocês não acham natural vocês trabalharem para poder saciar tais desejos? E o trabalho não é princípio básico do capitalismo "viverás do suor de tua testa"?
- Sim...mas...
O livre-mercado tem suas sentenças. A liberdade para adquirir de maneira voluntária o que se deseja é uma delas, se não a principal.
Sabendo da minha vitória, e para confirmá-la, fui ao grupo mais próximo. Eram alunos do 4º ano, sendo os 3 anos tidos com o professor dinossauro. E estavam seriamente contaminados.
- Olá! Estou querendo provar minha tese de que a mulher é capitalista naturalmente!
Uma clara provocação, que rendeu olhares desaprovadores, para não dizer coisa pior.
- Pois bem! Você, mulher, contenta-se com um par de sapatos apenas?
A negativa é certa.
- Então é normal você comprar mais sapatos e bolsas do que realmente precisa!
- Claro! Eu trabalho pra isso! - respondeu prontamente.
- Mas isso não é capitalismo. Capitalismo é algo pior que isso - disse outro do 4º ano, tentando argumentar algo que nem ele sabe bem. Certamente em sua cabeça ecoavam os discursos proféticos do tal professor, e o deixaram no mais obscuro subjetivismo.
Não será humano e libertário deixarem as mulheres serem felizes, assim como a Carrie Bradshaw?
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Providência Social
O Governo tem o custo com a Previdência Social 254 Bilhões de Reais. E graças a gestão estatal desastrosa, o rombo de 2009 ficou em R$ 42,8 bilhões. Este rombo acontece simplesmente porque gasta-se mais que se arrecada.Por isso, a mudança de nome é estritamente semântico:
Previdência: qualidade ou ato de previdente; antevidência.
No que se refere à Previdência Social ou privada, o ser humano durante seu período economicamente ativo pensa no futuro, antevê. Então ele poupa para que quando deixar de produzir ter alguma reserva e se manter.
Providência: remediar qualquer necessidade ou regularizar certos serviços.
A necessidade é sustentar as aposentadorias e afins. Como a conta não fecha, remedia-se tributando mais e rolando a dívida, resultando em pagamentos de juros e mais impostos.
A previdência privada, bem gerida, oferece melhor remuneração e não se vale dos cofres públicos de fundo infinito. Infelizmente só quem tem renda razoável pode pagar pelo INSS (compulsório) e mais a previdência privada.
Tudo o que é social se mostra como uma ferramenta de viver às custas do alheio.
Providência Social, algo que os brasilianos deveriam deixar de tomar.
sábado, 16 de janeiro de 2010
Assassinos sem causa
A Copa Africana de Nações deixou seus torcedores perplexos. Poderia ter sido, mas, infelizmente, a razão disto não foi o jogo de abertura entre a anfitriã Angola contra Mali, onde os donos da casa abriram 4x0 para nos quinze minutos finais verem seus adversários milagrosamente empatarem o jogo. O que chocou os africanos foi um atentado terrorista contra a seleção de Togo, que tragicamente, deixou mortos e feridos entre a comissão técnica e os atletas.Recuso-me a apontar levianamente para o mau. Muitas pessoas logo de cara saem dizendo que essas coisas acontecem porque existem pessoas más no mundo. Esse papo maniqueísta, além de religioso, sempre acaba na vala comum de um discurso casuísta.
Estudiosos bem intencionados tentaram estudar a origem destes ataques. A explicação que encontram aparece nos discursos contra o imperialismo, as injustiças cometidas por um sistema corrupto e a ordem divina. Oriundos, na maior parte, do oriente, estes atentados terroristas soam como uma última voz desesperada. Quer dizer, soaram. O evento em Angola mostra que eles estão na eira da boçalidade.
Outros atentados ocorreram em prédios que representavam um antro financeiro ou um poderio militar ou geopolítico. Agora, como justificar um atentando contra uma seleção de futebol africana como Togo? Apesar das rixas infantis entre as torcidas por seus fanatismos, o esporte desempenha o papel de unir as pessoas, principalmente quando envolve a nação, numa mistura de emoção e patriotismo. Não gosto destes sentimentos, mas tenho que concordar que geram externalidades positivas sem precedentes para uma nação.
O exemplo recente da África do Sul comprova o que estou dizendo. Em 1995, quando o país ainda estava com as feridas do apartheid abertas, obteve a oportunidade de receber o campeonato mundial de rúgbi. O esporte é aclamado por diversos países e a final pode ser assistida por 1 bilhão de pessoas. A seleção sulafricana era formada basicamente por brancos, o que gerava um desgoto por parte da polulação negra. Num gesto de humanidade, o recém-eleito presidente Nelson Mandela utilizou a seleção como o símbolo de união para o país e tratou de retirar qualquer vestígio maléfico e associou a vitória no torneio como algo de orgulho nacional. Aproximou os jogadores, que eram estrelas, da população mais pobre. O resultado foi que as pessoas, torcendo pela mesma causa, acabaram superam profundas diferenças raciais. A historia é belíssima e pode ser vista no novo filme de Clint Eastwood intitulado Invictus.
O que estou tentando dizer é que estes ataques terroristas não possuem nenhum vínculo ou causa subjacente quando atacam atletas africanos. Também não quero dizer que eles deveriam ter, pois a verdade é que eles não deveriam existir. Gandhi deixou um excelente exemplo de como combater a injustiça sem utilizar violência. Porém, mais do que estes assassinatos, o que mais assusta, e nisso a violência é brutal, são os impactos psicológicos destes atentados.
Ora, se não existe mais razão alguma para haver esses ataques, a insegurança se agrava e o sentimento de pânico assume o controle. Nada mais terrível do que viver com a sensação de que pode perder a vida a qualquer momento. A vontade para fazer coisas um pouco mais longínquas vai para o espaço. Quando esse pânico nos persegue, a vida perde o sabor e vira um tormento. Mesmo que alguns tenham uma vida atribulada, imaginar um futuro melhor pode aliviar o sofrimento. O que estes ataques fazem é roubar tudo isso. Portanto, quando acontecem atentados como este, as mortes não podem ser contabilizadas, pois não sabemos até que ponto elas deixaram suas marcas ou armas.
Muitos rezam. Num momento tão desigual como este dificilmente alguma reza fará efeito para atenuar ou inibir estes atentados. Olho vivo faro fino. Às vezes me preocupo com alguns problemas do bairro, como carros ou casas roubadas. Mas quando vejo estes atentados, fico com vergonha dos meus medos.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
É o fim da Venezuela
É o fim para a Venezuela. Seus cidadãos, a maioria, apoiaram as mudanças política do país e agora estão reféns do ditador socialista Chávez. O caminho da servidão é clara, porém com destino obscuro. E apenas eles próprios podem se salvar.A última medida intervencionista do presidente venezuelano na economia é digno de regimes totalitários, tamanho a repressão à liberdade.
Hugo Chávez pôs o Exército nas ruas para coibir aumento de preço no comércio. Isso é definitavemete a deturpação completa da economia e com graves conseqüências.
Ao impedir o aumento de preços, o Coronel assumidamente desrespeita os desejos individuais das pessoas e promove escassez. Oras, o sistema de preços, ou mão-invisível para os economistas, é o melhor indicativo de que a demanda precisa ser saciada e que os bens precificados estão em escassez ou abundância.
Um exercício simples:
Se tem muita banana na feira e muita demanda, o preço tende a um equilíbrio.
Se tem muita banana na feira e pouca demanda, os ofertantes vendem a banana "a preço de banana", já que tem que vender muito para ter alguma receita
Se tem pouca oferta de banana e muitos demandantes, a disputa é entre os compradores. Quem gosta de banana pagará o preço alto, e o ofertante garante com mais segurança sua receita.
Simplesmente quando o preço da banana está acima do equilíbrio, indicará aos produtores a plantar bananas. Preço alto = receita alta = lucro garantido
O contrário também é válido: preço da banana em baixa significa muitos produtores colhendo bananas.
Na economia nada é estático. A variação de preços é como a pulsação, contínua, indicando que ações tomar para atender a demanda.
No Socialismo Bolivariano, um belo nome para o velho Socialismo Marxista-soviético, o Estado e Governo matam a economia, eliminando a pulsação.
O Governo venezuelano tenta conter a alta de preços. Mas por que o faz?Será que os comerciantes são tão cruéis e querem expoliar os cidadãos, inclusive os pobres?
Apesar de ser uma sátira, realmente tem muitas pessoas que acham isso mesmo. "O capitalismo é cruel", "Chávez protege os pobres" e outras sandices são entoadas. A educação medíocre é perceptível nessas pessoas.
A alta dos preços tem um nome: Inflação. E inflação significa excesso de moeda em circulação. Dá pra traduzir mais isso.
Quando o preço de um bem aumenta, significa que você deve ter mais dinheiro para adquirí-lo.
A necessidade de ter mais dinheiro tem 3 possíveis causas, sendo a 1º causa a raíz:
1 - Inflação de moeda: muita moeda pra comprar a mesma quantidade de bens
2 - Inflação dos insumos: os produtos básicos sofreram aumento de preço, possivelmente pela sua escassez
3 - Inflação dos bens: muita procura pelo produto final indica escassez
Na Venezuela acontece as TRÊS causas. O Socialismo Bolivariano, com sua planificação da economia, repete o que já aconteceu na História onde o Socialismo foi implantado.
1 - O Governo imprime dinheiro indiscriminamente. E causa inflação de 25% em 2009, sendo que em 2008 ficou em 31%
2 - A produção torna-se ineficiente, produzindo MENOS que antes.
3 - O caudilho revolucionário deprecia a moeda. Muitos bolívares são necessários para se comprar algo.
E para ilustrar bem o fundo do poço que o Comunismo proporciona, racionamento de energia elétrica.
Seria bom se o Brasil rechaçasse a influência do Coronel golpista Hugo Chávez aqui e na América Latina.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Cabe numa mochila?
Coloque todos os seus relacionamentos numa mochila. Não se engane sobre seus relacionamentos, são os maiores componentes de sua vida. Você sente que as cintas cortam os seus ombros? Todas essas negociações e discussões, e os segredos e compromissos. Você não precisa carregar esse peso.
Essas frases não são minhas, são do personagem de George Clooney em seu recém-lançado filme Amor Sem Escalas(Up in The Air, 2009, Estados Unidos). Do mesmo diretor de Obrigado por fumar e Juno, Jason Reitman, a história apresenta a vida de um homem em seu cotidiano. Não se engane, pois este não é um simples cotidiano. Sozinho entre a multidão, Clooney passa a vida viajando por uma vida e profissão inusitada. Em sua palavras, seu dever é tornar o limbo aceitável. Em outras palavras, ele precisa fazer demissões.
Imagine passar grande parte de sua vida dentro de aeroportos, fazendo e desfazendo malas, passando sem deixar rastros, sem lugar fixo. Poucos encarariam. Tal vida exige sacrifícios. Para alguns, o maior deles seria os relacionamentos. Viver desta maneira é um verdadeiro contraponto de tudo que o mundo atual sonha, até porque a palavra que resume a maioria destes sonhos é a estabilidade.
A vida de Clooney no filme escancara exatamente este paradoxo. Ele, em sua rotina sem rotina, precisa justamente falar com pessoas arraigadas em seus trabalhos, tão certas como um relógio na parede da sala. Quando recebem a notícia, as reações são as mais bizarras possíveis. Sobre isto, não se trata apenas de orgulho ou prestígio. Ao ouvir a notícia, um filme inteiro passa por nossa cabeça e o medo de encarar uma nova realidade nos paralisa.
Afinal, o que faz alguém se prender tanto a um modo de vida? São os relacionamentos? Toda vez que criamos um vínculo, levamos com ele os compromissos e deveres para mantê-lo. Na medida em que aumentamos esses vínculos, mais peso carregamos. Assim, fica difícil se mover, sair do lugar. Daí queremos estabilidade. Mas não são apenas os relacionamentos. E as coisas materiais? Quanto mais temos, mais precisamos cuidar. A manutenção de certos bens é díficil, custa muito caro. Novamente, quanto mais adquirimos, mais pesados ficamos. Estabilidade vira uma necessidade.
Daí que surge a analogia da mochila. O que realmente precisamos carregar? Quantos relacionamentos realmente precisamos ter? É preciso ter coragem para esvaziar a mochila, jogar fora o restante e seguir adiante. Aonde iremos chegar não importa.
No geral, as pessoas que são livres parecem ser mais felizes. E a maioria admite isso. Mesmo assim, os nossos sonhos continuam os mesmos: encontrar alguém para casar e ter filhos. Apesar destes desejos incongruentes, a verdade é que estando quer nessa ou naquela situação, iremos sempre sentir falta de algo.
Além deste tema, como conjunto, o filme apresenta certas fragilidades e vulgaridades das nossas relações em nossos tempos. Podemos ser distantes e ser profundos, assim como podemos parecer íntimos e ser superficiais. As tecnologias nos dão essa falsa sensação. Viver entre mensagens e telefones pode nos dar uma falsa idéia de amizade ou amor. Irônico que uma simples mensagem pode por fim a tudo. Sem dor, apenas um clique.
Sem exagerar, talvez até queira lembrar, mas aposto alto que o filme leva o Oscar de melhor filme este ano. Jason Reitman foi ignorado com Obrigado por Fumar e bateu na trave com Juno, já que tinha grandes concorrentes. Mas desta vez, seu filme sobra e vai levar mais de uma estatueta. Clooney atuou muito bem, mas Morgan Freeman também fez muito bem o papel de Nelson Mandela em Invictus. Será uma grande disputa. Também não sei será sucesso de bilheteria. Nos Estados Unidos o filme arrecadou o suficiente para se pagar. Uma pena, já que a cada ano que passa tendemos a ter cada vez mais filmes grandiosos com histórias de cabeça oca e poucos de verdade, que realmente valem à pena.
Nestes tempos onde as pessoas só vivem com a cabeça no passado e no futuro, lembrando o que passou e sonhando com o que virá, sinto que quanto mais longe fico de uma pessoa, mais próximo estou dela.
