terça-feira, 12 de outubro de 2010

Os Caminhos da Democracia: A Origem Ateniense

Agora um fato curioso. Em Atenas não havia eleições e sim sorteios


Mesmo em tempo de eleições, o debate sobre política em nosso país decepciona. A culpa é todos, desde os mais simples até o que se pretendem como representantes. A julgar pelo que vemos dizer os candidatos, fala-se de tudo, menos de ideias, mais de polêmicas. Até o momento, dois fatos marcaram as eleições no Brasil: o espantoso número de votos que o candidato Tiririca recebeu com seu lema “Pior que tá não fica” e a discussão sobre o aborto, lance que surge aos quarenta e cinco do primeiro tempo e promete de estender por todo o segundo, transformando as eleições num plebiscito.

Diante destes fatores, muitos chegam a questionar a própria democracia. Será que ainda serve? No entanto, antes de mesmo de pensar tal questionamento, é necessário entender o que é de fato a democracia. Neste primeiro artigo, iremos falar das origens.

Foi em Atenas, uma das cidades helênicas da então dividida Grécia, que começou a democracia. Mesmo antes, as cidades gregas eram governadas por reis, através da monarquia. Contudo, alguns anos antes de Cristo, o poder que então era obscuro, oculto, tornou-se transparente, através do povo, pela democracia. O nome democracia origina-se dos nomes “demos”, povo, e “kratos”, poder, que significa poder do povo. Os gregos que conheciam os regimes da monarquia, “mono” de apenas um, aristocracia, “aretê” a excelência do herói, agora tinha a democracia. Não era o poder de um, nem de poucos, mas de todos.

A democracia ateniense não era como a nossa. A diferença consiste na maneira em que praticavam seu governo, que segundo eles, era a prática da liberdade. Por 40 vezes ao ano(uma média de 1 a cada 9 dias) nas chamadas reuniões ordinárias, todo ateniense poderia comparecer a praça pública, conhecida como ágora, e decidir sobre as questões de seu cotidiano. Naquela época o mundo não era tão complexo como o nosso, e os assuntos mais importantes giravam em torno da guerra e religião. Em nosso temos, ao invés de decidirmos diretamente, escolhemos quem decidirá por nós. É como se escolhêssemos quem irá até a praça pública tomar as decisões.

Agora um fato curioso. Em Atenas não havia eleições e sim sorteios. Estranho não? Mas se parar pra pensar eles estão certos. O que sugerem eleições? Se escolho alguém é porque suponho que ele tenha certa qualidade para ocupar determinado cargo público, portanto há distinção. Não é a escolha dos melhores? Ora, temos um nome para isso, como dissemos acima, aristocracia. Portanto, para que não existisse tal distinção, eles faziam um sorteio. Por isso, em Atenas não existiam cargos, mas encargos. Alguns políticos de hoje não iriam gostar nada dessas coisas. Mesmo a escolha dos júris para o tribunal especial, aquele que julgou Sócrates, era por sorteios.

Nem tudo era perfeito nesta democracia ateniense. Apesar do glamour por este sistema que durou tão pouco tempo, a verdade é haviam os excluídos. As mulheres, crianças e escravos não podiam votar. Escravos eram aqueles que eram confinados ao trabalho manual degradante. Quem gosta de trabalho somos nós, operários do dinheiro.

Agora fica mais fácil entender em tange a democracia. Todavia, ela demorou quase dois milênios para ser estabelecida. Os caminhos da democracia não foram fáceis. Somente em 1688 tivemos um novo vislumbre democrático. A história foi cruel com os povos. Mas isso é assunto para o próximo artigo.

domingo, 10 de outubro de 2010

Não somos bons com escolhas

Quando falamos de opções falamos de liberdade, algo que muitos valorizam tremendamente. Portanto, se queremos liberdade, queremos escolhas. Se não sabemos muito bem lidar com elas, por que desejamos tanto fazê-las?


Quantas escolhas você precisou fazer hoje? Acredito que no momento elas não lhe vêm à mente muito claramente, já que 90% delas foram automáticas. O que vem a mente são aquelas escolhas que geralmente gastamos mais tempo. Se você se importa muito com a aparência vai lembrar que precisou escolher entre passar o gel e usar o secador ou simplesmente dar uma “arrumadinha”, ou, se aquele vestido era mais apropriado para sair de casa.

Nossa vida é feita de escolhas, e como elas irão definir como seremos ou o que faremos, nada mais sensato do que gastarmos tempo pensando e pesando sobre essas decisões diariamente, certo? Não, errado.

Uma pesquisa desenvolvida por Sheena Ivengar, professora de negócios da Universidade de Columbia, Estados Unidos, demonstrou que nosso cérebro não sabe lidar muito bem com as decisões. Segundo ela, o problema é que quanto mais opções temos, mais este processo fica pesado e confuso. Acabamos sobrecarregados, e nos sentimos obrigados a escolher somente porque as opções estão disponíveis. Em muitos casos, termina em frustração. Mas calma, antes de você entrar em pânico, convém dar alguns exemplos e pensar sobre eles. Acredite, neste momento, sua melhor escolha é seguir adiante com este texto.

Em um de seus experimentos, a professora fez um estudo sobre mercado com potes de maionese. Haviam duas estantes, uma com 6 sabores e outra com 24. O grupo não era definido e tinha a liberdade de escolher em qual das estantes fariam suas compras. Resultado: 60% optou pela diversidade enquanto que o restante ficou com menos opções. Ou seja, muita gente gosta de ter opções.

O que impressionou na pesquisa é que dentro do grupo que optou pelos 24 sabores, apenas 3% compraram algum pote de maionese. Já o segundo grupo, cujas opções eram bem menores, 30% efetuaram suas compras. Espantoso não? Embora um grupo tivesse 4 vezes mais opções comprou 10 vezes menos.

Quando falamos de opções falamos de liberdade, algo que muitos valorizam tremendamente. Portanto, se queremos liberdade, queremos escolhas. Se não sabemos muito bem lidar com elas, por que desejamos tanto fazê-las? Porém, antes de falar sobre isso quero fazer uma teoria tarantinesca sobre o assunto.

Já que constatamos que o cérebro não sabe lidar muito bem com as escolhas, podemos dizer que as mulheres mais lindas são as que escolhem os piores parceiros. Diante da enorme quantidade de opções que se colocam diante delas, sem necessariamente precisarem pensar no assunto, por cansaço ou comodismo acabam optando pelo atributo mais conveniente: a beleza. Dentre tantos candidatos ela escolhe o mais bonito ao invés de gastar os neurônios pesquisando sobre eles. Boa escolha? Beleza não é tudo. A julgar que os homens mais bonitos tendem ter em baixíssimo nível os demais atributos justamente por terem mais opções, se você ver alguma mulher bonita acompanhada, desconfie do caráter do homem que está com ela.

Agora, voltemos ao assunto principal. Vivemos numa sociedade relativamente democrática onde podemos fazer muitas escolhas. Sempre teremos que tomar decisões, mas nenhuma delas tem a mesma importância da outra. Sendo assim, é sábio delegar as menos importantes para outros ou gastar menos energia com elas para nos concentrarmos no que é mais importante. A tarefa não é simples, já que as coisas mais fúteis,relacionadas aos prazeres, roubam nosso tempo como nenhuma outra. Os brasileiros, principalmente, gastam mais tempo discutindo a escalação do seu time de futebol do que com as escolhas que farão nas eleições.

Aliás sobre isso, os resultados do primeiro turno comprovam sobremaneira a pesquisa da professora. Conversando com os mais diversos tipos de pessoa, é fácil constatar que muitos têm uma opinião relativamente formada sobre os candidatos à presidência e ao governo. Como entre eles o número é menor, já que a imprensa acaba naturalmente podando os menores e jogando luz sobre os mais convenientes, fica mais fácil optar entre eles. No entanto, a coisa fica pior entre os senadores, e fica preta entre os deputados. Diante da gama infinita de opções para deputado, muitos deles extremamente competentes, venceu o Tiririca, com seu mantra do “Pior que tá não fica”. Voto de protesto? Voto de preguiça. Brasileiro é preguiçoso. Ao invés de se informar, prefere usar o discurso moralista patético, clichê e vazio sobre os corruptos, sem perceber que votando no palhaço está fazendo exatamente o jogo dos próprios corruptos.

A pesquisa da professora é importante e nos faz pensar. Apesar da constatação, nada muda o fato de que precisamos ter inteligência para fazer escolhas, que neste caso, envolve em primeiro lugar, identificar o que é mais ou menos importante.

Napoleão disse o seguinte certa vez ao Czar russo ,em visita ao seu palácio, após ser criticado por sua ganância pelo poder ouvindo dele que os homens deveriam lutar pela honra: “Cada luta pelo o que não tem”. Como não temos muita coisa, convém escolher bem.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O que falta ao Brasil é vontade

Se para ter vontade é necessário ser como a China prefiro morrer de fome. Os tempos de trabalho escravo no Brasil foram superados.


Recentemente ouvi uma palestra de um renomado economista brasileiro que já trabalhou como economista chefe da Febraban, leciona numa das mais importantes universidades do país e sempre aparece na TV para explicar algum fato econômico conjuntural. O nome deste senhor é Roberto Luis Troster. Após fazer um aparato geral, daqueles assuntos genéricos que qualquer intelectual pode falar sem comprometer ou enganar o grande público, fechou a palestra dizendo que o maior problema para o crescimento do Brasil é a falta de vontade.

Concordo com ele, em absoluto. Quando se vive num país em que basta seu esforço, mesmo que seja grande, para atingir seus sonhos e vencer na vida, o ingrediente essencial é a vontade inabalável. Porém, quando se vive num país onde é necessário ter tudo isso além de uma grande dose de sorte, não é possível ter vontade, e sim, frustações.

Sabemos que o primeiro caso não se aplica ao Brasil e de uma série de outras nações mais ou menos pobres, como os países africanos por exemplo. O que falta para todos eles é vontade, porque num país onde não se oferecem condições para o crescimento fica muito complicado desenvolver um espírito inovador.

Não bastasse termos uma das mais altas taxas de juros do mundo, agora temos o cambio sobrevalorizado arrebentando com o mercado de exportações. O BNDES que deveria investir no pequeno empresário empresta bilhões para os grandes a taxa baixinhas, de quase 3%. Quem empresta a taxa de juros tão altas? Os pequenos. E quem pode pagar? Os grandes. Será que alguma coisa não está errada? Olha que estamos falando apenas ao problemas relacionados ao bancos, casa do nosso ilustre palestrante.

Depois da palestra, foram abertas oportunidades para questionamentos. Em mais de uma resposta, o economista citou a China como exemplo a ser seguido, num país, que segundo ele, as pessoas têm muita vontade. Desta vez, porém, acredito que ele tenha se equivocado, pois num lugar onde as pessoas vivem com tão pouco em meio a tanta miséria não dá pra confundir sobrevivência com vontade. O país cresce em ritmos astronômicos, mas a que preço? Existe capitalismo, todavia, mais ainda, existe ditadura. Se para ter vontade é necessário ser como a China prefiro morrer de fome. Os tempos de trabalho escravo no Brasil foram superados.

As palavras, mesmo que sejam vexatórias, não surtem muito efeito dependendo de quem às diz. Se ouvisse isso de algum colega de sala ou de trabalho, tudo bem, sei que com o tempo ele aprenderá que o que disse é bobagem e suas palavras entram num ouvido e saem por outro. Contudo, quando as palavras saem da boca de uma pessoa que tanto estudou, que tanto representou e ainda representa, não há como passar despercebido, elas entram por um ouvido e vão direto ao coração.

Não sei se choro ou fico feliz. Choro porque são pessoas assim que tomam as grandes decisões no país onde o sistema bancário possui influência renomada. Mas posso ficar feliz também de saber que tantas pessoas estão vergonhosamente fora da realidade e que para crescer e assumir o lugar delas talvez não seja tão difícil quanto imaginava.

Se faltava vontade, agora não falta mais.

domingo, 22 de agosto de 2010

A pobreza das eleições

Quando não existe oposição, todos perdem inclusive a situação

O Brasil continua pobre em todos os sentidos. Contudo, nenhuma parte da pobreza pode ser pior do que o da política. Chega a dar vergonha a maneira que os candidatos vêm conduzindo suas campanhas nestas eleições. É como se o povo brasileiro tivesse a idade mental de dez anos. E a oposição? Não existe.

Quem assistiu o horário eleitoral ou ouviu pelo rádio, sabe do que estou falando. É um tal de “Zé” pra cá, de “Silva” pra lá e de “mãe” não sei do que. Não sei quanto a você, mas parece que quem está se candidatando não é nenhum estadista ou líder democrático e sim o dono da quitanda da esquina. Será que funciona essa estratégia? Será que brasileiro é tão humilde que precisa disso pra se sentir achegado?

Serra, que sempre foi muito auto-referente, tentar arrancar a pele e partir pro povo. Candidato da oposição, sequer consegue apontar as mazelas do atual governo. Pior, tenta desesperadamente vincular sua imagem ao presidente Lula esperando que o eleitorado vote nele ao invés da candidata anunciada. Até uma criança de dez anos vendo isso concluiria que se até ele confia no Lula, então temos é que votar em quem o Lula pedir. E olha que o marqueteiro da campanha é um jornalista que ganha horrores para bolar essas estratégias.

Tudo bem, a economia do país esta voando, e como todos sabem, é ela quem quase sempre dita os desfechos dos sufrágios. A popularidade do atual presidente bate recordes a cada pesquisa. No entanto, nada disto justifica esse marasmo e babaquice da oposição. Será que é tão difícil assim apontar as falhas do atual governo? Se formos pela lógica da atual oposição, estamos no melhor país do mundo, onde não há problemas.

Quando não existe oposição, todos perdem inclusive a situação. Somente pelo confronto das idéias que é possível avançarmos nas soluções e encontrar os melhores caminhos para nação. Infelizmente, a eleição está ganha, e não veremos nenhum debate produtivo, daqueles que expõe idéias para melhorar a educação, inibir o desemprego, construir sonhos e criar esperanças. O que veremos até o final serão acusações e comparações do que “eu” fiz do que “você” fez.

Vai demorar para a oposição arrumar os cacos destas eleições. Quem sabe em 2018 teremos alguma coisa diferente. Até lá o “Zé” vai pro caixão, o “Silva” enjoa de enganar e a “Mãe”, que na verdade é a “Sogra”, desmascara. E Marina? O Brasil é pouco pra ela, o que ela precisa é salvar o mundo, oxalá o universo.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Sonho ou Realidade? Existe diferença?

Afinal, o que difere o sonho da realidade? Quando sonhamos nem sonhamos que aquilo é somente um sonho, temos plena certeza de que a realidade está diante de nós.


Por que nunca nos lembramos do início de um sonho? Tudo sempre começa no meio, com uma naturalidade que nos faz sentir o peso da realidade sem a menor sombra de qualquer dúvida. Há tempos a ciência vem tentando entender o que acontece em nossa mente e nunca chegou muito perto. A maneira que sonhamos permanece um mistério. E isso, sem dúvida, é um prato cheio para a arte, que diferente da ciência, abre mão da razão para dar lugar as emoções.

Em cartaz nos cinemas desde sexta, o novo filme do diretor Christopher Nolan, A Origem(Inception, 2010, EUA) explora de uma forma um pouco diferente este mundo imaginário oriundo de nossas mentes, os sonhos. Digo isso, porque não bastassem as incredulidades criadas na mente durante um sonho, no filme, ainda é possível haver uma ligação entre eles, em vários níveis diferentes. Em outras palavras, o sonho dentro do sonho de outro sonho, não somente de uma pessoa, mas de várias. Compreendeu?

Na trama, Leonardo DiCaprio, faz o papel de um agente capaz de roubar as informações da mente de outra pessoa através dos sonhos. Desta vez, porém, seu cliente lhe pede algo que nunca fez anteriormente. Ao invés de roubar, ele precisar colocar uma idéia na mente de outra pessoa, cujo papel será de mudar o rumo dos acontecimentos. Mesmo diante de algo tão complexo, ter sucesso na missão significará para ele ter sua própria vida de volta, a senha para acordar do pesadelo ou para voltar a sonhar.

Claro, ele não vai sozinho, e monta uma equipe para ajudá-lo na tarefa. Daí vemos a aparição de Ellen Page e Joseph Gordon-Levitt, ambos jovens atores que certamente terão pela frente uma brilhante carreira pela frente. A preparação deles é uma aula sobre os conceitos do filme. Portanto, preste atenção nestes diálogos, pois eles são fundamentais para se entender todo o restante.

O filme contém muitas cenas de ação, mas não exagera. A trama lhe deixa um pouco apreensivo e revela muitas surpresas. Mesmo com mais duas horas de filme, é impossível lembrar das horas neste instante. Ao término, muitas interrogações.

Afinal, o que difere o sonho da realidade? Quando sonhamos nem sonhamos que aquilo é somente um sonho, temos plena certeza de que a realidade está diante de nós. Podemos revisitar memórias, rever pessoas e atingir conquistas. Igual a realidade, o sonho nos permite sofrer amargamente e chorar de alegria ao mesmo tempo. Portanto, qual a diferença da realidade? Como saber se o que acontece agora não é um sonho?

Dizem que nosso subconsciente controla nossos sonhos. Isso explica porque sonhamos com o que não queremos ao invés de sonhar com o queremos sonhar. Nessas horas vem a reflexão e a sensação de que podemos estar escondendo algo dentro de nós. Por que será que eu sonhei com aquela pessoa? Já aconteceu com você? Quem era aquela pessoa e por que estava me dizendo aquelas palavras? Qual o significado? Não sei de tem algum significado, mas dá o que pensar.

Dentro dos sonhos, o tempo também não é o mesmo. É possível viver uma vida dentro de nossas mentes. Você vai dormir as dez e acorda às seis, mas viveu anos em outro plano. Casou, teve filhos, foi a guerra e enterrou seus pais. Aqui você era um carpinteiro e lá foi um arquiteto. Lá você se apaixonou e por aqui você vive em solidão. Por aqui você adoeceu, mas por lá você curou vidas. Lá você era um mendigo sendo que aqui você é milionário. Não importa o que seja, mas poder ter outra vida e ser diferente dá uma sensação de liberdade, poder fugir do cotidiano, esquecer as amarras, escrever uma nova história sem se preocupar com as páginas já escritas. Sonhar é ser livre.

A única forma de acordar do sonho por si mesmo é com a morte. Mesmo num sonho, ter a coragem de tirar a própria vida não é fácil. E se não for um sonho? Arriscado, mas pode te livrar de muita coisa. Quando vivemos um pesadelo logo vem a nossa mente tirar a própria vida, e alguns fazem isso. Será que acordaram do pesadelo aliviados? Difícil saber. O fato é que depois de muito pensar, independente do pesadelo em que estamos, encaramos os monstros e seguimos adiante.

O que sobra neste sonho que chamamos de realidade é o medo. Mesmo tendo tanta coisa a nossa disposição ainda insistimos em conservar o que temos, quando na verdade, deveríamos deixar de lado muita coisa para explorar outras tantas. Afinal, não passa de um sonho. Qual é o risco? O único risco é o arrependimento. Gosta do seu sonho?

Mesmo depois de tanto tempo, a humanidade ainda não sabe ao certo seu começo, como chegou até aqui e para onde irá. Parece que chegamos nesta vida bem no meio. Ora, será que este não é um sinal? Um sinal de que tudo não passa de um sonho? A escolha depende de nós. A verdade é só iremos saber depois de mortos. Se irei me arrepender ou não, só depende do meu sonho ser um sonho ou um pesadelo.

Às vezes não sei o que é acordar. Não sei se quando acordo estou terminado ou começando um pesadelo. Por enquanto, apesar de tudo, prefiro não acordar.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Pode Temer a Dilma

Para candidata do PT, Brasil tem "faixa média de tributação"

Exato. 40% é a carga tributária. 5 meses trabalhando para o governo.

Mas isso não é nada. Tem mais asneiras:

A petista também declarou que a mudança que o Brasil mais precisa é erradicar a pobreza, condição primordial para a economia do país crescer, e que as ações do governo Lula de combate à pobreza permitiram que o país saísse bem da crise econômica em 2009.


 O que ela disse é algo como acabar com a fome ANTES de preparar a refeição. Como erradicar pobreza ANTES da economia crescer? Ou com o confisco brutal de riqueza das pessoas, como já acontece, e tornar as pessoas motivadas apesar dos incentivos delas serem o contrário: trabalhe e não enriqueça.

E a imbecil (não há outra denominação) diz que o as ações do governo Lula de combate à pobreza permitiram que o país saísse bem da crise econômica. Isso significa que o setor de serviço e commodities não existe. O Brasil é o país que é graças a maioria dos nordestinos e nortistas, os que recebem Bolsa-família. E também aos indíviduos improdutivos nas zonas rurais que não contribuem à previdência social e recebem pensão mesmo assim.

Não há ânimo de argumentar depois de tanta dissimulação e duplipensar.


   

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Mentalidade brasileira não funciona

Hoje, os gurus aconselham o que se denomina visão sistêmica. Caso você não conheça, pense em algo completamente contrário a mentalidade brasileira

Houve o tempo em que predominou a visão cartesiana. Não consegue lidar com um problema muito grande? Esquarteja-o. Se for lidar com as partes menores, uma de cada vez, terá sucesso.

Sendo assim, cada um cuida da sua parte e resolveremos todos os problemas? Não. Com o tempo, cada um foi se especializando extritamente em sua area. Em determinado momento, sua visão de mundo limitou-se aquela parte. O psicólogo via o mundo de uma forma. O matemático não confiava em nada que não houvesse um modelo. E os engenheiros criticavam a nova arte.

Enfim, deu errado. Hoje, os gurus aconselham o que se denomina visão sistêmica. Caso você não conheça, pense em algo completamente contrário a mentalidade brasileira. Por aqui somos preguiçosos, espertos e muito políticos. Como não gostar de nós?

Pois é. Certa vez, um brasileiro foi a Estocolmo para um curso de mestrado. Para auxiliá-lo, um sueco foi acompanhá-lo, tanto para apresentar a faculdade bem como a empresa que trabalhariam.

No primeiro dia, chegando bem cedo, diante de um estacionamento completamente vazio, o sueco estacionou na vaga mais longe. Foram caminhando pelo menos uns 15 minutos até chegar à entrada. O brasileiro estranhou, mas não comentou nada.

No segundo dia a mesma coisa. No terceiro também. Incomodado, o brasileiro, no quarto dia, comentou: “Já que chegamos cedo, por que não aproveita e estaciona o carro nas primeiras vagas, próximo a entrada? Assim economizaremos muito tempo”.

O sueco o olhou com uma cara de espanto, como se fosse a coisa mais obvia do mundo. “Você não percebe? Como chegamos cedo, aproveito para deixar o carro longe. Assim, quem chega atrasado consegue deixar o carro mais próximo da entrada. Desta forma, minimizamos o atraso de quem já se atrasou. Por aqui, pensamos no todo”.

Entendeu o que é visão sistêmica? Pensar como um todo? Chega de especializações. Por que um economista não pode filosofar? Por que um pedreiro não pode ser professor universitário? Vamos expandir. Olhares diferentes revolucionam. Foi Newton quem ajudou Smith a revolucionar a ciência econômica. E por que a economia não poderia revolucionar a física?

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Somos quem podemos ser

Nova negativa. Com aquele sorriso na cara diz que não podem servir o café, porque se encerra às 11:30 AM. Incrédulo, Douglas, olha no relógio: 11: 36 AM. “Estão de brincadeira?”

Quando você era criança eles te ensinaram a sonhar. O mundo parecia ser perfeito, assim como as pessoas. Entretanto, à medida que foi crescendo, você começou a perceber que as coisas não eram bem assim. É necessário lutar, e daí, trocam-se os sonhos. Assim como todos, você prefere ficar com os menores, mais fáceis, de direito. Agora, um bom emprego, casar e ter filhos devem ser suficientes e o resto fica para quem tem sorte. Passam mais alguns anos e você percebe que até mesmo as coisas mais básicas são difíceis. O amor não é como escreviam nos romances e os filhos não eram como nos comerciais de TV. Mentiram pra você?

Essa é a proposta de Um dia de Fúria(Falling Down, Estados Unidos, 1993), do diretor Joel Schumacher, que já dirigiu Batman, com o brilhante ator Michael Douglas. O filme se passa nos Estados Unidos e mostra o dia em que um simples cidadão quer apenas ir para sua casa ver o aniversário da filha.

No início, vemos um congestionamento. As pessoas buzinando, as moscas voando, o sol escaldante gerando um calor insuportável. Douglas apenas quer ir pra casa. Sai do carro, retira a chaves e, sob protestos, vai embora. Pára num orelhão, tenta ligar pra casa e não consegue terminar. As fichas acabam. Decide pedir troco numa loja.

Chegando lá encontra um oriental e lhe pede que troque o dinheiro. “Não, tem que comprar algo”. Mesmo implorando, o chinês se nega. Ok, ele sai pela loja e encontra uma Coca-cola. “80 centavos”, diz o chinês. “Mas não vai sobrar nada para ligação”, lamenta-se Douglas. “Não quero saber”. Pense na crítica social. Um oriental entra em seu país e ainda quer lhe roubar cobrando preços abusivos? No final ele rouba o taco de beisebol do chinês e destrói grande parte da loja. Paga a Coca-cola e sai.

Após isso, decide parar num muro para tomar seu refrigerante e pensar em seus problemas. Dois vagabundos aparecem dizendo aquele território é deles e exigem uma taxa. Será que ainda é possível usufruir tranquilamente do espaço público? Quem paga os impostos para que as ruas se mantenham limpas, bem cuidadas e sem vagabundos? Mais violência. Agora ele troca o taco de beisebol pela faca.

Sai e vai ligar para casa. Neste meio tempo, os vagabundos voltam com mais gente e muitas armas. Vêem Douglas parado no orelhão e, com uma metralhadora, atiram para todo lado. Acertam vários civis e batem o carro. Nosso herói sai ileso, reconhece os bandidos, rouba as armas de guerra e os ensina a atirar. Será que não existem mais homens nessa sociedade? Atirar por trás? Covardes, isso é o que somos.

Nosso herói vai parar numa lanchonete fast-food. Pede um café da manhã. A atendente, uma estúpida, diz que não, que não estão servindo mais o café e sim o almoço. Douglas chama o gerente. Nova negativa. Com aquele sorriso na cara diz que não podem servir o café, porque se encerra às 11:30 AM. Incrédulo, Douglas, olha no relógio: 11: 36 AM. “Estão de brincadeira?” e saca uma arma. Agora todos o atendem muitíssimo bem. Paga o lanche e sai.

No caminho, passa por um banco e enxerga uma figura excêntrica. Um homem desesperado proclamando verdades inconvenientes. Em sua mão uma placa que diz: “Você não é economicamente viável?”. "É isso o que lhe dizem quando não pode fazer empréstimos", explica o homem aos berros. Vejam a atualidade da crítica. Os bancos fazem o que querem, seus mais altos funcionários ganham milhões, mas suas operações fracassam e colapsam todo um sistema que prejudica a sociedade como um todo. Vem o governo e os salva. Com que dinheiro? O seu! E quando você precisa dos bancos, você não é economicamente viável?

Douglas não pode ir para casa. Sua esposa pediu separação, pois acha ele violento. Acha que ele pode bater nela, acha que ele seria capaz de machucar sua filha. Ela “acha”? Douglas nunca encostou o dedo na família e mesmo assim o juiz decretou que ele não pode se aproximar da família mais de 30m. Cruel? Pior, foi demitido da D-Fesa, empresa de fabricação de mísseis. Disseram que ele estava fora de mercado, muito especializado. Douglas acha que estava trabalhando para proteger o país. Uma honra? Um cirurgião plástico ganha cem vezes mais.

Ao ver o filme, talvez você fique com a sensação de que Douglas não esteja tão errado. Sente que se estivesse nas mesmas circunstâncias poderia muito bem ter as mesmas reações. Afinal, que sociedade é essa? Não é este o mundo que nos venderam.

Parece absurdo, mas se pensar, cada dia vivemos uma luta para simplesmente ter um dia normal. É como se a cada momento sofrêssemos alguma provocação. Reagir seria justo, mas pode lhe causar muitos problemas. Nossos pais, nosso chefe, o dono da padaria, o guarda da praça e seus vizinhos. O que querem de mim? Você se cala, prefere viver em paz.

No fim, Douglas descobre que é o bandido, ou “bad guy”. Não é isso o que acontece com você quando luta por seus direitos? Não é isso o que acontece com você quando aponta o dedo e revela todas as mentiras? Como diria Lobão, ter opinião hoje em dia é muito difícil.


Existem muitas outras cenas com um misto de deboche, injustiça e revolta. Chega a ser engraçado, mas nada tão absurdo.

O filme inspira, mas tome cuidado. O maior problema da nossa sociedade não são os ricos que aprontam, não são os políticos corruptos e nem os bandidos. O maior problema da nossa sociedade é a grande massa. Quando alguém tem um lapso de lucidez e decide lutar por seus direitos, alguém do meio da boiada, como medo de perder o pouco que tem e sair da comodidade, assume uma atitude feroz e defende o que não é seu, assume o papel de advogado do diabo

Sonhos. Será que não seria melhor não tê-los? Não é irônico? Todos têm os mesmos sonhos e eles nunca viram realidade? Acho que o problema são as pessoas.


Trailer: http://http://www.youtube.com/watch?v=Fv-dvw2DsNc

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Para acabar com imóveis abandonados, torná-los mais caros


Na última edição de Jornal da Gazeta, ao noticiar o IPTU progressivo (?) de imóveis abandonados na cidade de São Paulo a âncora Maria Lydia comentou logo depois com tom favorável à medida que seria uma "correção" via Poder Público do déficit de habitaçãoe degradação urbana baseando-se na "função social" da propriedade prevista na Constituição Federal.



Adendo: a gestão Kassab na prefeitura de São Paulo está caracterizado pela postura feudal em relação à cidade. São tantas regulamentações que faz parecer São Paulo uma cidade soviética.

Esquematizando

- Imóvel abandonado teria IPTU 15% mais caro
- E passados 5 anos a prefeitura teria a posse do imóvel
- IMPORTANTE: a prefeitura pagaria INDENIZAÇÃO ao dono.
- A "função social" da propriedade é argumento usado a favor

Começando pela polêmica "função social", herança social-democrata dos legisladores do século passado, de socialistas utópicos à pragmáticos corruptos, é dúbia e tem raíz na sociologia marxista que existe nos tristes trópicos com força avassaladora, que não produz uma escova de dente mas destrói laranjais.

A própria dicotomia social versus econômico é falsa e que demonstra o nível baixo dos acadêmicos e formadores de opinião.

E o clamor de ação do Poder Público exclui as ações deste que distorcem e atrapalham o processo econômico, a citar a morosidade da Justiça e tributação restritiva.
Certamente qualquer tributação é restriva, notadamente coercitiva e anti-econômica.

Não é mistério que vários imóveis estão ociosos devido à disputas judiciais e insolvência dos deveres tributários. Claramente a medida de aumentar o IPTU sobre tais imóveis apenas contribui para que continuem sem fim econômico, que é necessariamente social.

IMPORTANTE: a indenização proposta com tomada do imóvel pela prefeitura parece justo. Parece apenas.

Interesses de um grupo de indivíduos serão atendidos: os que tem o imóvel como herança e vocação para serem apenas recebedores de juros.
Manter imóveis dá trabalho. Vai muito mais que apenas recolher aluguéis. Quem empreende tal atividade possui muitas responsabilidades para mantê-lo rentável.

Bem óbvio: quem possui imóveis ociosos ganhos por herança e não vê vantagem em torná-los rentáveis é só esperar alguns anos para o governo liquidar. Com dinheiro dos pagadores de impostos. E com governo como agente monopsônico (um comprador apenas), os preços dos imóveis tendem a serem apreciados acima do mercado.

As famílias tradicionais agradecem.
___________________________

Somente o mercado pode suprir a demanda e diminuir o déficit habitacional e degradação urbana. Só que falar isso num país de carga tributária excessiva que drena recursos da iniciativa privada e regulamentações estúpidas feitos pelos dirigentes que estão mais longe do setor produtivo que o Japão está do Brasil é trabalho árduo.
Este debate, como qualquer outro, se esbarraria em princípios falaciosos e gastaria maior parte da energia que deveria ser usado para propor soluções efetivas.

Este é o maior desafio deste século: quanto o Poder Público tem de ser diminuído para que haja progresso econômico.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Ambientalismo promove ostentação

Essa miscelânea de conceitos no título é motivo de reflexão mesmo. A indagação é de como um pensamento coletivista que propaga a regulação coercitiva e abandono da prosperidade, o ambientalismo, desencadeia sentimentos vistos como individualistas como a ostentação. É o que revela estudo.



Leia o trecho:


“As pessoas querem ser vistas como altruístas. Nada passa melhor essa impressão do que comprar produtos “verdes”, que costumam custar mais e ter menor qualidade, mas que beneficiam o meio ambiente”, diz o professor assistente de Marketing da Carlson Escola de Negócios, da Universidade de Minnesota, Vladas Griskevicius.

O estudo mostrou que, quando compram sozinhas pela internet, as pessoas escolhem produtos que proporcionam conforto e são luxuosos. Porém, em público, elas preferem os produtos “verdes”, exatamente porque querem parecer altruístas.
  
A alienação ambientalista transforma a ação e entra em conflito com a natureza humana. Indivíduos por status se mostram coletivistas. As mídias nos bombardeiam com mensagens pró-ambientalismo.

O mercado demanda, o mercado oferta:


Os produtos “verdes” estão em todo o lugar: desde a esponja usada para lavar louça até os carros.
A busca pelo status em produtos “verdes” acontece inclusive quando eles custam mais caro em relação aos produtos que não carregam a promessa de serem sustentáveis.

De acordo com o professor de Minnesota, guiadas pelo status, as pessoas não se importam em adquirir produtos inferiores apenas para dizer que cuidam do meio ambiente.
Para as empresas que estão preocupadas em atrair estas pessoas, ele indica a formulação de produtos para serem adquiridos e usados em público.

Nota-se que devido ao apelo midiático de "salvar o planeta" emitindo menos CO2 (?) e outras ações inócuas, o mercado já se distorce. Paga-se mais caro (?) por um produto "verde".
Isso é facilmente visto. Vá a uma papelaria e veja o preço do sulfite branco e do sulfite reciclado.

Sessão pergunta-que-não-quer-calar: como algo que é reaproveitado e/ou com apelo ao "consumo consciente" é mais caro?

O problema do apelo midiático não é o maior. Pois o sistema de preços com o tempo julgará o que é consumo sustentável de fato. O problema mesmo é quando há alguma regulação estatal.
As regulações não permitem o ajuste do mercado à eficiência e eficácia. Travados por leis, portarias e afins, as pessoas são forçadas a pagarem caro e a não ter opção.

É o caso da gasolina. Com o preço do combustível controlado pela Agência Nacional do Petróleo, não há ocilação e teor informativo do preço aos agentes econômicos. Com o preço da gasolina apreciado, então o preço do álcool combustível tem margem para também se apreciar. Se a gasolina tivesse preço de mercado, seria competição direta com o álcool. Um substituto do outro. A oferta se precaveria, a demanda aproveitaria.

Mas o Estado Brasileiro impede as pessoas de fazerem a escolha "verde". Teve que passar mais de três décadas para ter a explosão flex, os motores híbridos.

Coerente seria as pessoas utilizarem produtos "verdes" por terem alguma vantagem econômica. E os ostentadores não resistirem ao luxo e pagar mais caro pela gasolina ou carro de alto-consumo. No entanto, isso parece soar "fora da realidade" devido a ideologia sócio-ambiental.