domingo, 24 de janeiro de 2010

Um simples acontecido

Prova de que as coisas nem sempre estão nos lugares em que esperamos que elas estivessem.


Foi digitalizado e agora está disponível ao público a história contada por William Stukeley sobre a maçã que caiu ao lado de Sir Isaac Newton. Como todos sabem, foi através deste simples acontecimento que o brilhante cientista concluiu sua teoria sobre a gravidade. Hoje algo banal, mas para a época, um avanço tremendo. A maçã caiu direto para o chão, ok. Mas por que não para os lados? Ou para cima? Parece obvio, e assim devem soar a posteriori as grandes descobertas científicas.

Incrível como algo tão simples, até mesmo recorrente e corriqueiro, despertou uma descoberta tão importante para nossa história. Claro que o fato de a maçã cair não fez com que, do nada, brotasse uma teoria na mente de Newton. Apesar de jovem, com aproximadamente 20 anos, ele já possuía uma certa envergadura para as ciências, talvez mais do que o suficiente para fazer comparações e, consequentemente, descobertas.

Contudo, o que chama atenção neste caso, é que se ele ficasse bitolado em suas idéias, hermético em seus estudos e escritos, talvez jamais conseguisse criar idéias tão belas. Prova de que as coisas nem sempre estão nos lugares em que esperamos que elas estivessem.

Uma das coisas mais chatas e decepcionantes da nossa sociedade é a certeza que permeia as decisões de cada indivíduo que acha que está “por dentro”. Estes agem como se soubessem em que fim as coisas vão dar e seguem fórmulas rígidas para chegar ou conseguir o que precisam. Tendo isso em mente, ignoram o que passa por seu caminho.

Os profissionais ficaram mais profissionais do que nunca. Antigamente um goleiro poderia ser baixinho como um Danrlei e os nadadores poderiam ganhar medalhas sem o porte ideal. Bastava querer e simplesmente tentar. Hoje em dia, o baixinho não pode ser goleiro e muito menos nadador, precisa seguir em outro esporte que lhe dê as vantagens ou simplesmente não ir para o esporte. É como se todos fossem projetados para serem desde o início os melhores e apesar de haver conquistas, nada é suficiente, pois comparado com os imortais, aquilo nada vale.

Felizmente existem exceções que provam o contrário. Parece que ainda sobra fôlego para algo mais espontâneo.

Da mesma forma as pessoas agem com seus empregos, estudos e relacionamentos. Primeiro fazem a escolha e depois apenas traçam os caminhos. As coisas pequenas ficam despercebidas. E, ironicamente, o que elas querem passa batido, num formato impensado.

Não tenho nada contra quem decide tal rota, mas não me venha dizer que é este é o certo que deve ser imitado. A espontaneidade criou o mundo que temos hoje. Quando os religiosos estavam no controle, fatos inusitados apareceram para mostrar que estavam errados. E quando a ciência estava no controle, novamente fatos apareceram para provar que estavam errados.

Não deixe de olhar para os detalhes. Deixe para fazer as escolhas a medida que as oportunidades forem surgindo. Mesmo que escolha uma carreira hoje, fique aberto para mudanças. Talvez, surpreendentemente, você termine em outro lugar. Melhor assim. Para os que se focam demais em seus objetivos, quando algo sai errado, o dia seguinte deve ser usado para compensar o que foi perdido. Por outro lado, para os que ficam abertos, o dia seguinte é uma nova oportunidade para consertar os erros ou simplesmente esquecê-los.

Olhar para frente é, com certeza, o principal. Nunca deixe de fazer isso. Mas, olhar para os lados e para trás de vez em quando não faz mal para ninguém.

A propósito, segue o link para os manuscritos originais citados: www.royalsociety.org/turning-the-pages/

2 comentários:

Petrucchio disse...

♫ Paul Rabbit all the way ♫

thiagomiota disse...

Putz! Peguei a Veja ontem para dar uma olhada e me deparei com um artigo falando sobre Isaac Newton.

Quem vai acreditar no AC agora???