quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Fantasmas do Big Brother

Engraçado, mas pessoas agem como se vivêssemos num Big Brother. Sentem que são observadas e avaliadas por cada decisão.


O carnaval, apesar de uma festa tipicamente brasileira, nunca me agradou. Enquanto as pessoas pulam na folia, dou um tempo. Desligo o mundo por alguns dias. Apenas para não ser hipócrita, admito que os feriados são sempre bem-vindos.

Passado os dias de folia, nessa clássica quarta-feira de cinzas, decidi dar uma passeada pelo shopping e checar se havia algo interessante no cinema. Sobre isso, prefiro não comentar. Achei melhor ir almoçar.

Foi então que me deparei com algo, no mínimo, controverso. Um grupo de jovens passou ao meu lado, estando um deles, vestido com calça preta, uma bolsa enorme que tinha um skate pendurado pelo lado de fora e uma touca na cabeça. Imagine. Em pleno verão com dias de carnaval tão quentes que é praticamente impossível dormir tranquilamente, o sujeito sai de casa com uma touca?

O ponto de interrogação ficou por uns minutos em minha cabeça. Acho que qualquer pessoa que estivesse por ali conseguiria vê-lo com clareza. Daí pensei em outras pessoas que, por necessidade, vestiam roupas desconfortáveis no calor. Sem outra opção, precisam usar o que pede o figurino.

Talvez aquele sujeito também estivesse vestido daquela forma por necessidade. Necessidade de pertencer a algo. Aquele skate e as roupas pregam um tipo de pessoa que ele é, ou, pior, quer ser. Saber andar de skate talvez nem seja tão importante. O que vale mesmo é ser convincente na imagem. Os outros precisam acreditar nisso.

Engraçado, mas pessoas agem como se vivêssemos num Big Brother. Sentem que são observadas e avaliadas por cada decisão. O risco de ser eliminado é aterrorizante. De que adianta ser algo se as pessoas não percebem? Não é melhor parecer ser algo mesmo que não o seja de verdade? Sócrates fez essa mesma pergunta há dois milênios.

Perdemos personalidade. Quando alguém se importa demais com as opiniões dos outros, ela mesma se anula e deixa de existir. Vive como um fantasma, apenas vestido. Se tirar a roupa, não sobra nada.

Quero descobrir por si só os gostos e opiniões das pessoas. Não quero que elas cantem para mim. Quero saber se tal pessoa gosta dos filmes franceses pela maneira que ela vê e fala dos filmes e não pela camisa que usa. Quero saber o tipo de música que alguém escuta por suas opiniões e bandas que freqüentam seu radio e não pelo cabelo ou camisa que usa. Enfim, o que importa é o conteúdo, o resto vem à tona naturalmente. Se alguém não perceber, quem se importa? Quem precisa saber vai saber.

Como disse George Orwell: "são todos iguais e tão desiguais, mas uns mais iguais que os outros". São esses mais iguais que definem os outros iguais. As vezes colocam todos eles dentro de uma casa com câmeras vinte quatro horas. São os meus ídolos.

1 comentários:

Juliana Amaral 2 disse...

As vezes o cabelo dele era feio. ahhahaha.

Mas concordo com o que vc escreveu! bjs