terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Resposta à revista Veja - A liberação do Santo-daime


A edição 2150 da revista Veja trouxe uma notícia de que o governo oficialmente liberou o consumo de santo-daime ou ayahuasca, um chá retirado de um cipó que causa alucinações e usadas por tribos sulamericanas em rituais.

A revista ironiza através da opinião conservadora o acontecido e lança uma pergunta que transcreverei a seguir:

"O governo diz que autorizou o pessoal a ficar viajandão para respeitar a liberdade religiosa. Se alguém criasse uma religião batizada, digamos, Santo Pirlimpimpim, baseada em aspirações mágicas de cocaína, o Planalto também oficializaria o consumo?"

Eu respondo à revista:

Em primeiro lugar a necessidade de oficializar o consumo de qualquer coisa baseia-se no premissa de que temos que pedir permissão para alguma autoridade para fazer algo. O direitismo que prega um Estado carrancudo e padrasto atropela por completo o princípio da liberdade e privacidade. O que se diz respeito à vida privada de algum indivíduo não precisa de legitimação judicial e julgamento moral. O consumo do tal chá é tão igual quanto o consumo de acarajé.

O crime sem vítimas é outro vício e segundo ponto da minha resposta. Ao consumir santo-daime e ficar viajandão, o indivíduo não fere a liberdade e nem põe qualquer bem e vida alheia em risco. A alteração mental voluntária não serve de pretexto para cometer atos criminosos de fato. Crimes acontecem independente da condição mental.

O terceiro ponto para completar a resposta é uma crítica ao conservadorismo hipócrita. Pessoas que assinam tal notícia e editorial escondem-se sob a máscara falso-moralista e deturpam a realidade baseado em crendices e tradicionalismos tolos. Meses atrás a Veja publicou 10 verdades inconvenientes; a maior delas era "quem cheira (cocaína) mata". Uma falácia grave, já que o que financia o crime é a proibição. Tudo que se torna proibido, apartir do axioma da agressão (Estado) direitista, que serve para canalizar seus propósitos religiosos, gera um mercado que não é livre, chamado de mercado negro. E a sobrevivência deste mercado se dá muitas vezes através da violência, como é o caso do tráfico animais, de armas e drogas.

A violência gratuita e institucionalizada, controles e necessidades de liberações oficiais é o que causa mais violência e intolerância. A interação humana intermediada pelo Estado extingüe o essencialismo humano e prejudica a evolução ética e tecnológica.

Se alguém quiser ficar viajandão por consumir algo que vem da natureza e qua não agride ninguém, essa pessoa deve ter a total liberdade para tal. Cada um cuida da sua vida.

6 comentários:

Pri disse...

O que move o tráfico é a proibição, que é criminalizado pelo próprio governo.A Lei Seca nos EUA foi um bom exemplo. Se as drogas em geral fossem liberadas não haveria necessidade do tráfico, o usuário não é o criminoso, a demanda sempre vai existir, sendo legal ou proibido.
A Veja, hipócrita e conservadora como sempre...tsc !

thiagomiota disse...

É um debate complexo. Também acho que a Veja foi leviana na colocação.

A questão sobre legalidade é complicada. Na holanda funciona, mas por aqui talvez seja diferente. O livro economia sem truques aborda todas externalidades da questão, recomendo.

Mrgabrielmeurer disse...

“A interação humana intermediada pelo Estado extingüe o essencialismo humano e prejudica a evolução ética e tecnológica.” Concordo plenamente.

Liberdade e responsabilidade andam de mãos dadas, aliás só se cria responsabilidade quando se tem liberdade.

E sobre a Veja ... pff ... sem comentários, é por essa e outras que ela queima o próprio filme.

Os jr disse...

Ainda bem que eu só vejo o que a Veja não mostra. Vc´s vêem? Vamos ver... vamos ver..

O justo é queimar cada exemplar deste periódico ridículo, com textos pífios que tem o mesmo nível de um comentario do Jabor no JN.

Petrucchio disse...

Coitado do Jabor. Ele costuma fazer bons comentários.

thiagomiota disse...

Discordo...

A veja tem suas utilidades...

Quem lê a veja sabe exatamente o que pensa a classe média brasileira....