Conhece alguém louco? Como sabe? Foi ele quem o revelou? Certamente que não, já que quem é louco não sabe ou nem faz idéia de que seja. O mundo funciona perfeitamente sem a menor desconfiança de algo excêntrico e destoante. O fato de alguém dizer que é louco, em si já prova que dificilmente o seja.Essa idéia me preocupa. É comprovado que os seres humanos têm a tendência de serem egoístas. O mundo é criado quando você nasce. A maneira de ver o mundo a sua maneira cria um bloqueio. Afinal, até que ponto somos loucos? Seguimos nossas idéias com força, mas e se elas estiverem equivocadas? E se o mundo que criamos ao nosso redor é fantasioso?
O novo filme do brilhante diretor Martin Scorsese intitulado "A ilha do Medo"(Shutter Island, EUA, 2010) explora a insanidade humana de uma forma assustadora. Leonardo Di Caprio é um detetive enviado para uma ilha de tratamento para deficientes mentais após o sumiço de uma paciente. Mesmo com a ajuda de seu parceiro(Mark Ruffalo em grande atuação), as coisas aparentemente fáceis, ficam nebulosas pela falta de cooperação dos médicos e diretores do manicômio.
Ao longo do filme, a ilha desperta lembranças assustadoras na mente de Di Caprio, algo que o faz desequilibrar-se tremendamente. Além disso, determinados acontecimentos o fazem crer que existe uma conspiração do governo para utilizar estes pacientes como cobaias "ala hitler" e que tal paciente nunca existiu. Seu comportamento estranho é notado pelos médicos e tudo muda.
A história é datada na década de 50 e o próprio filme traz referências ao cinema antigo. Cinéfilo, o diretor traz o melhor dos antigos para esfera do cinema moderno destoando de outros filmes do momento, empanturrados de tecnologia e pouca arte. No auge de sua carreira, Scorsese cria uma obra-prima.
A certa altura nós mesmos começamos a questionar. Afinal, é real? A realidade que vemos existe ou fizeram que nós acreditássemos nela? Nem sempre ver as coisas de forma diferente torna alguém louco. Os avanços e revoluções aconteceram porque algum louco precisou ser ouvido. Por outro lado, quantas vidas poderiam ser poupadas se cuidássemos devidamente destas pessoas. Não preciso citar exemplos.
Olhando para um plano mais pessoal, fica evidente que às vezes criamos elementos em nossa memória que tornam questionáveis a realidade. Ou o contrário, a realidade distorcida cria elementos tão convincentes em nossas mentes que passamos a questionar nosso passado, até mesmo mudando-o completamente.
Ser louco num mundo de normais pode ser perigoso e ninguém o quer. Mas ser normal em um mundo de loucos também pode ser fatal, mas diversas pessoas se arriscam. É um álibi.
Ser ou não ser, eis a questão. Ao ver o filme percebe-se que a frase é verdadeira, mas não é questão de escolha. Sempre existe um porém. É melhor vivermos como monstros ou morrermos como homens bons?
Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=VMSnSw2_Tg8

2 comentários:
O egoísmo é possível desencadeador de loucura?
Não só o egoísmo, acredito que tudo seja um potencial desencadeador da loucura.
Agora eu quero MUITO ver esse filme !
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