
Datado entre 1500 a 1776, o sistema econômico mercantilista, apesar de longo na comparação com os sucessores, é visto apenas como período de transição. Primitivo.
Voltando para antiguidade, vemos que o homem precisava ser autosuficiente para viver, no sentido de que deveria produzir tudo que desejasse. Evoluindo mais um pouco, passou a fazer trocas, mas ainda tinha o trabalho como único expoente.
Com o declínio do império romano e seu sistema feudalista, surge uma nova classe chamada de burguesia. E essa classe inaugura o mercantilismo. Ao invés de produzir, estes apenas comerciavam os bens que obtinham. Concomitantemente, surgiam às grandes cidades, os grandes centros e cresciam os bancos. Agora, os bens mais importantes eram outros. Alimento era básico, mas para obtê-lo, era necessário ouro e prata. Uma frase célebre do filósofo francês Montaigne pode resumir todo o período: “o lucro de um implica necessariamente no prejuízo de outro”.
As características do mercantilismo
Os mercantilistas acreditavamm que a riqueza de uma nação advinha da quantidade de ouro e prata que esta possuía. A acumulação era o básico. Nesta época as grandes nações, que dominavam os mares, avançaram por novos territórios colecionando colônias. Portanto, pode-se chamar de um certo nacionalismo essa segunda característica. As colônias eram exploradas para obter mais ouro. Mesmo quando as terras não podiam proporcionar, outros recursos eram utilizados para ser exportados. Portanto, colonização e monopólio.
Uma terceira característica é o medo da importação. Importar significava ter menos metais preciosos. Portanto, somente em ultima instancia tal medida deveria ser feita. Para se ter uma idéia disto, na Inglaterra, a rainha punia com a morte a exportação de ovelhas vivas. A lã deveria ser produzida no país.
Os mercadores tinham prioridade sobre os camponeses e ganhavam bônus por suas atividades.
Outra característica era o forte controle central. O governo era importante para fazer as coisas funcionarem. Em certas épocas, alguns países ditavam quais alimentos deveriam ser consumidos para priorizar as exportações.
Por fim, a idéia de maximização da força de trabalho. Os salários deveriam ser os mais baixos possíveis para transformar a exportações em negócios mais rentáveis. Crianças de 4 anos deveriam começar a ajudar os pais. Aliás, sobre os salários, havia um conceito interessante. Era chamado de efeito renda. Os mercantilistas acreditavam que se houvesse um aumento do salário, as pessoas trabalhariam menos. O raciocínio era o seguinte: trabalhando menos para obter o mesmo, as pessoas optariam por usufruir de mais horas de lazer.
Os desfechos
Este sistema beneficiou sobre maneira as pessoas mais influentes da época. A aristocracia e a nobreza passaram a ver com bons olhos a atividade comercial dos burgueses. As leis e regulamentações da época basicamente existiam para garantir o máximo de rendimento para essa classe. Agora a segunda classe se descola da terceira e se aproxima da primeira.
As contribuições
Pouca coisa do pensamento mercantilista ficou para nossos dias. As visões eram muito literais e poucos pensadores enxergaram os desdobramentos econômicos na época. Entretanto, o conceito de balanço de pagamentos e a noção de mercado internacional persistem, mas, claro, de forma drasticamente superior.
Ironicamente, durante a Grande Depressão da década de 1930, os conceitos mercantilistas ressurgiram quando os países, querendo sanar a sangria em que estavam, elevaram as taxas de importação absurdamente. Assim como no passado, desta vez, não deu certo.
Os pensadores
É um erro ignorar que houve pensadores importantes no período mercantilista. Podemos destacar cinco deles.
$Thomas Mun(Filho de um mercador britânico, alcançou fortuna no comércio italiano). Como um reino poderia ser enriquecido? A resposta não estava nos bens de produção e nem no acumulo de capitais, mas sim no excedente de produção. Além disso, ele argumentava que o país poderia potencializar seu desempenho por aproveitar ao máximo toda e qualquer terra com plantações diversas para evitar de qualquer maneira as importações. Foi inovador ao analisar a balança de pagamento e colocar os “itens invisíveis” como os custos logísticos, investimentos em guerras e seguros.
$Gerard Malynes(Belga, filho de ingleses, foi encarregado da Inglaterra nos negócios da Bélgica). Na época em que a aristocracia odiava os mercadores, ele defendeu com fervor seus interesses. Também defendeu a idéia de que a regulamentação dos bens pelo governo era necessário para promover o bem maior do sistema. Por fim, pregou a idéia de que mais dinheiro num país estimularia o comércio.
$Charles Davenant(Filho de um poeta e dramaturgo William Davenant, foi membro do parlamento), Considerado um dos percussores do laissez-faire também é visto como um mercantilista ortodoxo. Ele argumentava que um país poderia maximizar suas exportações por utilizar somente seus bens domésticos. Ele foi esclarecido o suficiente para dizer que a riqueza de um país não era a quantidade de ouro e sim sua produção. Pasmem, mas naquele tempo, analisando sua vizinha Espanha, concluiu que muito ouro pode ser prejudicial, pois deixa a nação relapsa quanto as artes e as fábricas.
$Jean Baptiste Colbert(Primeiro ministro da França no reinado de Luis XIV). Coração do mercantilismo, era um bulionista que acreditava que a força de um estado vinha de suas finanças, e essas, por sua vez eram adquiridas através de impostos e receitas de impostos. Ou seja, quanto mais dinheiro em circulação, mais dinheiro para arrecadar. Acreditava que quatro profissões eram úteis para grandes coisas: agricultura, comércio, guerra por terra e por mar. Não gostava dos comerciantes e criou leis para introduzir os aristocratas na atividade. Era a favor de muito trabalho mal pago. A nação acima de tudo.
$William Petty(Dotado de grande capacidade intelectual, dominava várias línguas e era um mercador). Apresentou várias idéias para os mercadores que dizia que as importação deveria ser taxada ao máximo para valorizar as exportações. Desenvolveu a teoria do emprego total, onde todos deveriam trabalhar para gerar mais riqueza e impostos. Era contra o enforcamento de ladrões, pois acreditava que sua mão-de-obra poderia ser aproveitada. Criou teoria sobre o valor do trabalho, da renda e da circulação da moeda.
Próxima escola: os fisiocratas.

3 comentários:
Fiquei besta! Charles Davenant é legítimo producionista e seria Austríaco certamente.
Anos-luz a frente do seu tempo.
Aprendi mais que no colégio, fato.
ótima iniciativa!!! parabéns para vcs ;D
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