domingo, 25 de abril de 2010

A ironia da história é safada

Sobre as questões climáticas, é evidente que temos soluções. Com o tempo aparecerão mais, e em pouco tempo, não nos lembraremos do problema. Muito otimismo e fé cega?
Existe, já há algum tempo, um debate muito chato, porém, necessário sobre as questões climáticas. Nas palavras de um americano intrometido, precisamos saber se à hora passou ou se ainda há tempo. O medo é a principal arma dos defensores do meio ambiente, assim como imediatismo é a principal defesa para o descaso dos céticos.

Em meio a todo este debate, olho para os dois lados com desconfiança. As certezas me incomodam, porque invariavelmente levam ao fanatismo, que leva a algo que nem preciso dizer.

Em matéria de futuro para se chegar a alguma solução é necessário olhar para o passado. Imagino até, que seja por isso que nossas civilizações antigas tinham tantos problemas, pois não havia passado. Todavia, em nossos tempos, o problema é a memória.

Entre os criminosos do clima, não vejo adversário para o carro. Este é o demônio dos nossos tempos. Poluição e trânsito, que levam ao estresse, eis os nossos maiores males. Segundo os especialistas, existem carros demais e a poluição gerada por eles destroem com eximia rapidez nossa camada de ozônio. O que fazer então? Acabar com os carros, dirão os fanáticos. Os moderados acham melhor investir em transporte público. Os mais liberais em tecnologia limpa.

Contudo, nem sempre os carros foram os vilões. Em tempos recentes, foram eles que nos salvaram. Sim, isso mesmo, eles acabaram com a poluição anteriormente. Estranho? Sinto que preciso lhes contar uma breve história.

Durante o século XIX, houve uma grande expansão no crescimento populacional, concentrado nas grandes cidades, como Londres, Paris, Nova York e Chicago. Para o desenvolvido da economia, era necessário transporte público eficiente. Como chegar com rapidez ao médico? Transportar cargas? Na virada do século XX, cerca de 200.000 cavalos viviam e trabalhavam na cidade de Nova York. Era um para cada 17 pessoas.

Infelizmente, esses cavalos geravam problemas demais. Carroças puxadas a cavalo provocam engarrafamentos. Caso algum animal sofresse uma fratura na estrada, era necessário esperar o abatedor, pois havia uma apólice de seguros para estes animais. Além disso, o barulho constante irritava tanto a população, que era proibido a passagem dos animais nas proximidades dos hospitais. Era muito fácil ser atropelado por cavalos. Hoje morrem menos por carros do que por cavalos antigamente. Por último, o pior de todos, a quantidade de esterco produzido, era em média 11 quilos por dia, algo que aniquilava a população terrivelmente. Pense, se existiam 200.000, então teremos 2,3 milhões de quilos por dia. Onde ia parar tudo isso?

Pilhas destes excrementos se espalhavam pelos cantos. O transporte para tirá-los era lento. Em tempos de calor, o fedor era insuportável e em épocas de chuva a sujeira transbordava. A quantidade de moscas se multiplicava e as doenças se alastravam.

Em 1898, Nova York recepcionou a primeira conferência internacional de planejamento urbano. O principal tema da agenda era o esterco eqüino. Resultado? Dez dias se passaram e a conferência se encerrou sem resultados. A humanidade não podia viver sem os cavalos.

Por fim, pouco tempo depois, apareceu a solução. E não foi “o dia dos sem cavalo”, nenhuma lei governamental criando pedágios ou revezamentos de ferraduras. A ciência criou o carro. O problema desapareceu completamente e as cidades seguiram seu fluxo.

Claro que com o tempo eles criaram suas próprias externalidades e hoje temos um novo problema. Em situações em que não temos as soluções no momento, temos a tendência de achar que não existe solução nenhuma, nem agora, nem do futuro. Daí, por medo e desespero, deixamos de atacar o problema e investimos nossas energias em questões políticas. O passado nos ensinou que podemos encontrar soluções, basta ter paciência e trabalhar duro. Quanto tudo parece estar perdido, a mente humana nos surpreende.

Sobre as questões climáticas, é evidente que temos soluções. Com o tempo aparecerão mais, e em pouco tempo, não nos lembraremos do problema. Muito otimismo e fé cega? Talvez, mas prefiro ir por este caminho, do que por outros fálidos. Não sou eu quem está dizendo, é a história.

Ainda uma curiosidade. Sabe aquele monte de esterco que todo mundo queria se livrar? Hoje vale uma fortuna! Existem lugares que cobram R$600,00 por quilo. E tem gente que paga! Será que a carcaça do seu carro vai deixá-lo milionário? Melhor não se desfazer deles.

5 comentários:

thiagomiota disse...

Ah! O amerinano intromedito é o cineasta James Cameron. Ao invés de salvar seu país, vem salvar o nosso. Crise existencial dá nisso...

Max disse...

Uma ótima reflexão Thiago, imparcial e com contexto histórico incontestável! Parabéns. (Concordo com vc também no caso do americano safado, manda ele cuidar do quintal dele que precisa muito mais...) hehehe

Petrucchio disse...

Isso que dá virar Austríaco: começa a fazer textos excelentes um atrás do outro.

Mrgabrielmeurer disse...

muito bom o texto Thiago =)

daniel disse...

que merda... eu ainda paro pra ler