Contextualizando: no Twitter iniciou um tipo de debate sobre libertarianismo. Fez-se questionamentos sobre os valores libertários e senti a necessidade de escrever um texto, convenientemente neste blog, sobre o tema.
Tudo começou, creio eu, com a minha constatação de que imaginar as ruas privatizadas é possível em sã consciência. É muito comum encontrar pessoas dizendo ser "impraticável" numa sociedade a privatização plena, o que é defendida pelos libertários.
Usou-se o argumento de que não há país sequer que adote o libertarianismo pleno, como se algo para ser válido precisa de adoção em algum país.
Na verdade, se utilizar a lógica deste pensamento, então é válido falar que ditaduras são passíveis de aceitação pela humanidade, já que é adotada em vários países. O argumento torna-se inválido.
O fato é que há países com doses substanciais de liberdade. E os mais prósperos e justos são os mais libertários, relativamente. Neste caso, o libertarianismo pleno não só é possível como altamente benéfico.
Questionou-se, finalmente, os valores libertários. Para começar, os valores são os mais elementares e fundantes da civilização ocidental: Vida, liberdade e propriedade. A doutrina judáico-cristã possui esses valores elementares que são compartilhados pelo libertarianismo. E por lógica, esses valores só são possíveis se valorados individualmente.
Portanto o valor à vida é individual, subjetivo e pode ser compartilhados por outros, ou não. Baseado nisso que citei que o valor de um bandido, para mim, vale menos que a minha e meus pertences. O questionador sentiu que isso é um efeito egoísta, no seu sentido depreciativo, do libertarianismo. O certo é que o questionador descarta a realidade e a natureza humana.
Pessoas de bem, sem coerção, não cumprimentam ou mantém relacionamento com bandidos em potencial ou declarados. Pessoas de bem estão dispostas às trocas voluntárias que à coerção. Bandido rouba e mata. Não é possível que uma pessoa de bem convide para sua casa um bandido e sirva-lhe um café. Claro! A vida do bandido não tem o mesmo valor que a da pessoa de bem, ou a minha. A conduta do bandido vai contra os princípios.
Não satisfeito, o questionador faz um comentário: "Em suma, para mim, libertarianismo está a 1 pulo do nazismo. Na esquerda radical, idem. Ou seja: nem merecem análise".
Erro crasso.
O libertarianismo é individualista! O nazismo é coletivista! Nacional-socialista: dois tipos de coletivismo.
É por isso que logicamente não se admite qualquer tipo de coletivismo nos valores libertários: racismo, socialismo, sexismo, intolerância religiosa.
É notável o desconhecimento não sobre o libertarianismo, mas das Ciências Humanas no geral. Espero que este texto esclareça os sensos-comuns. Definitivamente não será um ponto final no assunto, mas deve ajudar a elevar o nível dos debates sobre estes temas.
Para saber mais: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=558
Quotation of the Day…
5 horas atrás

4 comentários:
"Pessoas de bem, sem coerção, não cumprimentam ou mantém relacionamento com bandidos em potencial ou declarados. (...) Bandido rouba e mata."
E no final o quê? O bandido come a vovó e a Chapeuzinho que são salvas pela espingarda de um soldado que passou e viu a porta aberta?
Por favor, ainda que fosse simples assim... Nenhuma "pessoa de bem" é boa o bastante que nunca possa cometer um desatino e nenhum "bandido" é um mal tão espontâneo que não seja produto da própria sociedade.
Quer dizer que agora eu tenho que arrancar um dedo se tiver uma unha encravada??
Na vida real cada um responde pelos seus atos.
Qual é o teu ponto, Robson? Não compreendi as analogias.
A sociedade libertária talvez fosse possível se as informações estivessem postas na mesa com plena nitidez.
A questão é quem são os "bandidos" e quem dos os de "bem". Numa sociedade como a nossa, impossível identificar claramente.
Outra questão é como definir os "bandidos" e os de "bem". Podemos ser as duas coisas.
Liberdade é fundamental. Porém, é preciso haver meios de coibir a liberdade alheia que se apropria da liberdade de outro achando que é sua liberdade.
Falando para si, todo mundo tem a própria versão correta dos fatos. Complicado.
"A questão é quem são os "bandidos" e quem dos os de "bem". Numa sociedade como a nossa, impossível identificar claramente."
Completamente falso! Se você não consegue fazer tal identificação você é deficiente mental, ou uma criança inocente.
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