domingo, 2 de maio de 2010

Alice no País das Decepções

Sabe o que é mais irônico? Apesar de tudo isso, o filme foi o que mais rendeu dentre todos os filmes de Tim Burton. Vai entender.

Decepção. Não vejo definição melhor para o novo filme do cineasta Tim Burton, Alice no País das Maravilhas(Alice in Wonderland, EUA, 2010). São várias as razões, mas algumas são imperdoáveis.

Em primeiro lugar, o 3D ainda é muito jovem para possuir a fama que tem, e Alice provou que existe um abismo enorme entre o filme de James Cameron e seus pares. O novos filmes não são gravados em 3D, apenas adaptados. Isto faz com que tenhamos filmes parecidos com aquele do Hopi Hari, fracos e amadores. Antes de fazer um trabalho como este, é preciso entender a tecnologia para daí conceituar. Parabéns aos cineastas que se recusaram a colocar a tecnologia em seus filmes apenas para enfeitar. E olha que vem um caminhão deles este ano.

Em segundo lugar, a história é completamente distorcida, foge os princípios do livro e transforma o País das Maravilhas num mundo vitoriano de moral tão criticado outrora por seu idealizador Lewis Carroll. A prosposta do livro era uma história nonsense e não um sentido, ou coisa do tipo.

Por fim, os personagens não são sombra do livro. O chapeleiro maluco parece mais um Jack Sparrow, ao invés do antipático tomador de chá questionador. Alice não é mais aquela menina inocente e sim uma mera sonhadora que vive distraída, mas que agora se vê numa crise existencial. Nem as crianças acompanham.

Com tantas mudanças, porque não escrever uma história nova? O caminho mais fácil quase sempre é menos recompensador. Sabe o que é mais irônico? Apesar de tudo isso, o filme foi o que mais rendeu dentre todos os filmes de Tim Burton. Vai entender.

6 comentários:

Petrucchio disse...

Verei o 3D só de marra!

Pri disse...

Se o filme é fiel a história original ou não, não posso opiniar. No sábado eu venho dar meu parecer.
Mas vc falar que o 3d é mal feito e não é gravado em 3d, sinto muito, Miota. Eu vi o trailer no i-max em 3d. E estava ÓTIMO ! Sem contar que, sim, o filme é gravado em 3d, até onde eu sei. Tanto que falei pro meu pai que alguns filmes 3d não eram gravam em 3d e ele até riu da minha cara.

thiagomiota disse...

Priscila,

Eu vi o filme...

Não é porque vc viu o trailer que quer dizer algo, são coisas distintas.

Sobre ser ou nao gravado em 3D, vou copiar as palavras do próprio diretor Tim Burton para você se convencer: "Nós não filmamos com câmera 3-D, nós usamos uma mistura de técnicas. Primeiro, por conta do tempo. Nós não tínhamos 5 ou 6 anos para desenvolver o projeto. Assim eu fiz um mix de animação com live-action, manipulando e adcionando diversos elementos. Conseguimos adicionar a profundidade que achávamos necessária, o que me deu certa liberdade criativa para alcançar o resultado. Fizemos tudo que gostaríamos de ter feito neste tempo. E pelo menos para mim, eu não consigo notar a diferença. Para mim, esta mistura pareceu a escolha técnica mais apropriada"

Veja, daí você se convence por completo.

Fonte: http://www.omelete.com.br/cinema/alice-no-pais-das-maravilhas-omelete-entrevista-tim-burton/

Jules disse...

Oi Thiago.

Então, vi o filme praticamente na época de estréia e até hoje não sei te dizer se eu gostei ou não...

Eu não diria que fiquei decepcionada porque o Tim Burton tem um pouco o DOM de "distorcer" um pouco os filmes que ele mexe (falando diretamente de FABRICA DE CHOCOLATE q detestei).

Fora isso à crítica à sociedade vale porque Alice foi escrita como uma crítica à sociedade Inglesa mesmo... POr isso do coelho atrasado, o chapeleiro ficando doido, a rainha, o uso de drogas, etc...

O que F*** é que ele misturou vários livros em um filme só. Alice no país das maravilhas, alice por detras do espelho (acho q é isso) e uma série de outros. Pra quem conhecia só o ALICE boiou e MUITO.

Sobre o Chapeleiro Maluco, só achei meio absurdo rolar um clima entre ele e a Alice... mas, acredito que todos ficaram esperando ver se ela acabaria com ele ou não hahaha.

Bem, é isso. Bjos

thiagomiota disse...

Meu texto pode ser traduzido pelo ressentimento mesmo. Eu adoro os dois livros da Alice.

O problema maior do filme não foi o Tim Burton ter escrito outra historia, mas sim ter tirado o sentido original.

O Lewis Carroll deve ter sofrido muito com aquela sociedade vitoriana chata. A ideia de Alice era uma história completamente nosense. E isso é todo o glamour. No filme achei que ficou muito "sense", a Alice se autodescobrindo, lutando contra seus conflitos internos e tal. Demagogia sabe? Não é a cara do Tim Burton e muito menos do Carroll.

Você deveria escrever sim. Vou ficar na espreita pra comentar hein...

Jules disse...

é entendi seu ponto de vista... Alice se auto descobrindo foi péssimo mesmo!

E ainda reluto contra o quase romance entre Alice e o Chapeleiro.

Fora que desde quando o chapeleiro se entrega pra salvar Alice? Desde quando ele faz algo são?