terça-feira, 7 de setembro de 2010

O que falta ao Brasil é vontade

Se para ter vontade é necessário ser como a China prefiro morrer de fome. Os tempos de trabalho escravo no Brasil foram superados.


Recentemente ouvi uma palestra de um renomado economista brasileiro que já trabalhou como economista chefe da Febraban, leciona numa das mais importantes universidades do país e sempre aparece na TV para explicar algum fato econômico conjuntural. O nome deste senhor é Roberto Luis Troster. Após fazer um aparato geral, daqueles assuntos genéricos que qualquer intelectual pode falar sem comprometer ou enganar o grande público, fechou a palestra dizendo que o maior problema para o crescimento do Brasil é a falta de vontade.

Concordo com ele, em absoluto. Quando se vive num país em que basta seu esforço, mesmo que seja grande, para atingir seus sonhos e vencer na vida, o ingrediente essencial é a vontade inabalável. Porém, quando se vive num país onde é necessário ter tudo isso além de uma grande dose de sorte, não é possível ter vontade, e sim, frustações.

Sabemos que o primeiro caso não se aplica ao Brasil e de uma série de outras nações mais ou menos pobres, como os países africanos por exemplo. O que falta para todos eles é vontade, porque num país onde não se oferecem condições para o crescimento fica muito complicado desenvolver um espírito inovador.

Não bastasse termos uma das mais altas taxas de juros do mundo, agora temos o cambio sobrevalorizado arrebentando com o mercado de exportações. O BNDES que deveria investir no pequeno empresário empresta bilhões para os grandes a taxa baixinhas, de quase 3%. Quem empresta a taxa de juros tão altas? Os pequenos. E quem pode pagar? Os grandes. Será que alguma coisa não está errada? Olha que estamos falando apenas ao problemas relacionados ao bancos, casa do nosso ilustre palestrante.

Depois da palestra, foram abertas oportunidades para questionamentos. Em mais de uma resposta, o economista citou a China como exemplo a ser seguido, num país, que segundo ele, as pessoas têm muita vontade. Desta vez, porém, acredito que ele tenha se equivocado, pois num lugar onde as pessoas vivem com tão pouco em meio a tanta miséria não dá pra confundir sobrevivência com vontade. O país cresce em ritmos astronômicos, mas a que preço? Existe capitalismo, todavia, mais ainda, existe ditadura. Se para ter vontade é necessário ser como a China prefiro morrer de fome. Os tempos de trabalho escravo no Brasil foram superados.

As palavras, mesmo que sejam vexatórias, não surtem muito efeito dependendo de quem às diz. Se ouvisse isso de algum colega de sala ou de trabalho, tudo bem, sei que com o tempo ele aprenderá que o que disse é bobagem e suas palavras entram num ouvido e saem por outro. Contudo, quando as palavras saem da boca de uma pessoa que tanto estudou, que tanto representou e ainda representa, não há como passar despercebido, elas entram por um ouvido e vão direto ao coração.

Não sei se choro ou fico feliz. Choro porque são pessoas assim que tomam as grandes decisões no país onde o sistema bancário possui influência renomada. Mas posso ficar feliz também de saber que tantas pessoas estão vergonhosamente fora da realidade e que para crescer e assumir o lugar delas talvez não seja tão difícil quanto imaginava.

Se faltava vontade, agora não falta mais.

3 comentários:

Petrucchio disse...

Ele já fez discursos melhores sobre o mesmo assunto...

José Gabriel Meurer disse...

Sinceramente, esperava muito mais dessa palestra. O Troster me decepcionou, como infelizmente a todos os outros estudantes e professores que tenham um pouco de bom senso.

Não sei, se ele quis nivelar o debate por baixo para não criar maiores atritos e opiniões divergentes. Mas que foi uma péssima palestra isso foi, infelizmente :/

Prof. Adinalzir disse...

Prezado amigo

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