
Mesmo em tempo de eleições, o debate sobre política em nosso país decepciona. A culpa é todos, desde os mais simples até o que se pretendem como representantes. A julgar pelo que vemos dizer os candidatos, fala-se de tudo, menos de ideias, mais de polêmicas. Até o momento, dois fatos marcaram as eleições no Brasil: o espantoso número de votos que o candidato Tiririca recebeu com seu lema “Pior que tá não fica” e a discussão sobre o aborto, lance que surge aos quarenta e cinco do primeiro tempo e promete de estender por todo o segundo, transformando as eleições num plebiscito.
Diante destes fatores, muitos chegam a questionar a própria democracia. Será que ainda serve? No entanto, antes de mesmo de pensar tal questionamento, é necessário entender o que é de fato a democracia. Neste primeiro artigo, iremos falar das origens.
Foi em Atenas, uma das cidades helênicas da então dividida Grécia, que começou a democracia. Mesmo antes, as cidades gregas eram governadas por reis, através da monarquia. Contudo, alguns anos antes de Cristo, o poder que então era obscuro, oculto, tornou-se transparente, através do povo, pela democracia. O nome democracia origina-se dos nomes “demos”, povo, e “kratos”, poder, que significa poder do povo. Os gregos que conheciam os regimes da monarquia, “mono” de apenas um, aristocracia, “aretê” a excelência do herói, agora tinha a democracia. Não era o poder de um, nem de poucos, mas de todos.
A democracia ateniense não era como a nossa. A diferença consiste na maneira em que praticavam seu governo, que segundo eles, era a prática da liberdade. Por 40 vezes ao ano(uma média de 1 a cada 9 dias) nas chamadas reuniões ordinárias, todo ateniense poderia comparecer a praça pública, conhecida como ágora, e decidir sobre as questões de seu cotidiano. Naquela época o mundo não era tão complexo como o nosso, e os assuntos mais importantes giravam em torno da guerra e religião. Em nosso temos, ao invés de decidirmos diretamente, escolhemos quem decidirá por nós. É como se escolhêssemos quem irá até a praça pública tomar as decisões.
Agora um fato curioso. Em Atenas não havia eleições e sim sorteios. Estranho não? Mas se parar pra pensar eles estão certos. O que sugerem eleições? Se escolho alguém é porque suponho que ele tenha certa qualidade para ocupar determinado cargo público, portanto há distinção. Não é a escolha dos melhores? Ora, temos um nome para isso, como dissemos acima, aristocracia. Portanto, para que não existisse tal distinção, eles faziam um sorteio. Por isso, em Atenas não existiam cargos, mas encargos. Alguns políticos de hoje não iriam gostar nada dessas coisas. Mesmo a escolha dos júris para o tribunal especial, aquele que julgou Sócrates, era por sorteios.
Nem tudo era perfeito nesta democracia ateniense. Apesar do glamour por este sistema que durou tão pouco tempo, a verdade é haviam os excluídos. As mulheres, crianças e escravos não podiam votar. Escravos eram aqueles que eram confinados ao trabalho manual degradante. Quem gosta de trabalho somos nós, operários do dinheiro.
Agora fica mais fácil entender em tange a democracia. Todavia, ela demorou quase dois milênios para ser estabelecida. Os caminhos da democracia não foram fáceis. Somente em 1688 tivemos um novo vislumbre democrático. A história foi cruel com os povos. Mas isso é assunto para o próximo artigo.
Diante destes fatores, muitos chegam a questionar a própria democracia. Será que ainda serve? No entanto, antes de mesmo de pensar tal questionamento, é necessário entender o que é de fato a democracia. Neste primeiro artigo, iremos falar das origens.
Foi em Atenas, uma das cidades helênicas da então dividida Grécia, que começou a democracia. Mesmo antes, as cidades gregas eram governadas por reis, através da monarquia. Contudo, alguns anos antes de Cristo, o poder que então era obscuro, oculto, tornou-se transparente, através do povo, pela democracia. O nome democracia origina-se dos nomes “demos”, povo, e “kratos”, poder, que significa poder do povo. Os gregos que conheciam os regimes da monarquia, “mono” de apenas um, aristocracia, “aretê” a excelência do herói, agora tinha a democracia. Não era o poder de um, nem de poucos, mas de todos.
A democracia ateniense não era como a nossa. A diferença consiste na maneira em que praticavam seu governo, que segundo eles, era a prática da liberdade. Por 40 vezes ao ano(uma média de 1 a cada 9 dias) nas chamadas reuniões ordinárias, todo ateniense poderia comparecer a praça pública, conhecida como ágora, e decidir sobre as questões de seu cotidiano. Naquela época o mundo não era tão complexo como o nosso, e os assuntos mais importantes giravam em torno da guerra e religião. Em nosso temos, ao invés de decidirmos diretamente, escolhemos quem decidirá por nós. É como se escolhêssemos quem irá até a praça pública tomar as decisões.
Agora um fato curioso. Em Atenas não havia eleições e sim sorteios. Estranho não? Mas se parar pra pensar eles estão certos. O que sugerem eleições? Se escolho alguém é porque suponho que ele tenha certa qualidade para ocupar determinado cargo público, portanto há distinção. Não é a escolha dos melhores? Ora, temos um nome para isso, como dissemos acima, aristocracia. Portanto, para que não existisse tal distinção, eles faziam um sorteio. Por isso, em Atenas não existiam cargos, mas encargos. Alguns políticos de hoje não iriam gostar nada dessas coisas. Mesmo a escolha dos júris para o tribunal especial, aquele que julgou Sócrates, era por sorteios.
Nem tudo era perfeito nesta democracia ateniense. Apesar do glamour por este sistema que durou tão pouco tempo, a verdade é haviam os excluídos. As mulheres, crianças e escravos não podiam votar. Escravos eram aqueles que eram confinados ao trabalho manual degradante. Quem gosta de trabalho somos nós, operários do dinheiro.
Agora fica mais fácil entender em tange a democracia. Todavia, ela demorou quase dois milênios para ser estabelecida. Os caminhos da democracia não foram fáceis. Somente em 1688 tivemos um novo vislumbre democrático. A história foi cruel com os povos. Mas isso é assunto para o próximo artigo.

1 comentários:
Muito bom o texto.
Você começa a desmitificar a democracia, palavra usada indiscriminamente como algo valoroso.
O fato curioso do sorteio em Atenas não é um mero detalhe: é na verdade um fundamento da democracia. E isso é observado no texto.
O poder do povo se dará se não houver distinção. Se não for desta maneira, logicamente fica descaracterizado a democracia.
Logo os fundadores do 1º Estado moderno argumentam a Constituição do novo governo baseado na república federativa, abolindo qualquer lógica democrática.
Postar um comentário